sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Cantiga da Carolina





Cantiga da Carolina

Ó Oupa pumpa, Ó oupa pumba
faz-me um miminho, diz-me um olá
Ó oupa pumba, ó oupa pumba
faz-me um beicinho, trálálálá.

Carolina é uma menina
muito alegre e bem disposta
amorosa e traquina
só faz aquilo que gosta

Anda sempre a pedir papa
e pela mamã a chamar
e nada nada lhe escapa
sempre atenta a olhar

Olhó Bubu, Olhó Bubu
a mandar muitos beijinhos  (Chuác, Chuác)
Olhó Bubu, Olhó Bubu
a cantar-te uma canção
Olhó Bubu, Olhó Bubu
a mandar muitos carinhos
a mandar muitos carinhos
do fundo do coração.

Gosta muito de brincar
faz fitas a toda a hora
tem bonecada a fartar
mas é a Minnie que adora

Já sabe bem o que quer
tem um brilho que ilumina
é uma Princesa a crescer
é a Princesa Carolina.


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Tommy


É muito fofinho
cheira muito bem
tem um sorrisinho
como ninguém tem

Tem pele de veludo
sabe bem pegar
alinha com tudo
sem nunca amuar

É sossegadinho
só quer é brincar
quando faz beicinho
quer dormir ou quer papar

Gosta de colinho
de muita atenção
tem muito miminho
é um figurão


Tommy Tommy Tommy
és o meu herói
Tommy Tommy Tommy
és um good boy

Tommy Tommy Tommy
és um rapagão
para o teu avô
és um campeão.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Beijo guardado


Na colina da esperança
sinto o teu cheiro no ar
e o sorriso de criança
já adivinha a festança
de saber estares a chegar

Em teus braços eu sou pluma
que te embala e acaricia
vai e volta e se esfuma
faz tudo e coisa nenhuma
como o coração sentencia

A distancia é já menor
a fragancia não engana
se eu fosse compositor
escreveria em teu louvor
no mais completo nirvana

Os meus olhos ansiosos
sabem que já estás perto
se já eram buliçosos
estão enormes, luminosos
p'ra te ver a descoberto

Sei que sou o teu destino
ninguém me tira daqui
quando chegares, qual bambino
dar-te-ei o genuino
beijo, que guardo p'ra ti.



segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Nem carne nem peixe


Tenho p'ra mim
qu'isto assim
não é carne
nem é peixe.
A incerteza
está na mesa
e o pão qu'outrora
abundou...
já rareia.

A tristeza
atracou
no cais vazio
que agora
serve de poiso
às gaivotas
acossadas
pela fúria
dum mar cão
que chicota
impiedoso
tudo quanto
o olhar enxerga.

Tenho p´ra mim
qu'isto assim
jamais chega
a bom porto
Nasceu torto
e os timoneiros
quais rapina
são os primeiros
a cravar seus dentes
podres.

A esperança
já só reside
Lá no alto
em Deus Pai
Aqui,
ao fundo do túnel
tem um abismo
infinito
que a todos
há-de sugar.

Tenho p'ra mim
qu'isto assim
não é carne
nem é peixe.




sábado, 5 de setembro de 2009

Poemas de mil compassos

“Unindo forças através da ARTE, esses poetas mostram aqui que o nosso país ainda tem solução (*tem alguém aí que ainda acredita?), pois nós não fazemos ARTE para adestrar macacos!”Por Elenilson Nascimento
A cadeia de preconceitos contra os escritores novos começa com os chamados "intelectuais", que não querem conhecer o trabalho de autores que não têm seus nomes na lista de revistas semanais, e termina no livreiro, que se recusa a comprar e exibir os livros em suas estantes. Sem contar o comportamento da crítica literária deste país, que ignora solenemente autores “iniciantes”, contribuindo assim para que apenas algumas obras sejam "escolhidas".
Por isso, precisamos de DIÁLOGOS para as nossas INTERROGAÇÕES, mas a arrogância dos acadêmicos, das editoras e da imprensa não nos deixa mais opções de tenta tirar os nossos GEMIDOS pertinentes de criação de dentro das nossas gavetas (*ou melhor, dos nossos HDs). Hoje, mais do que nunca, temos que acreditar que a ARTE está vulnerável porque se faz inativa por estar sedentária nas prateleiras que exalam cheiro de revistas que alastram apenas fofocas.
E aproveitando esse clima de desonra em nosso país, abrem-se as portas para uma revolta (*não mais silenciosa), como já se começa a perceber, com movimentos variados e até com ataques antidemocráticos.
Por isso mesmo, de forma independente, o autor baiano Elenilson Nascimento (de “Poemas Perversos Para Cartas de Amor”, “Clandestinos” e outros) reuniu 51 artistas (de diferentes áreas), como Waldick Garrett, Airton Soares, Gaspar Silva, Andréa C Migliacci, Artur Gomes, Corisco (do Bando Virado no Móhi de Coentro), Daniel Matos, a cantora e compositora mineira Érika Machado, IkaRo MaxX, os cantores e compositores baianos Márcio Mello e Tonho Matéria, Paola Benevides, Uarlen Becker e outros, que se juntaram em torno da Poesia e lançaram esse livro “Poemas de Mil Compassos”. Além das poesias, o livro traz trechos de entrevistas com os participantes da antologia, com suas indignações, suas verves, seus desaforos e seus descontentamentos.
Unindo forças através da ARTE, esses poetas mostram aqui que o nosso país ainda tem solução (*tem alguém aí que ainda acredita?), pois nós não fazemos ARTE para adestrar macacos! A LITERATURA precisa de um sistema mais organizado, precisa de Políticas Públicas que preze pela formação de leitores e ter uma visão mais profissional, porque fazer um livro não é um processo banal. Então, erguei-vos, caros leitores!

CD POEMAS DE MIL COMPASSOS Vol. 01

Poemas de Mil Compassos Vol. 01 (álbum/2009). Neste ano de 2009, enfim, o nosso livro “Poemas de Mil Compassos” foi publicado, com participação de 51 poetas de todas as partes, inclusive de Portugal. Agora, de repente, não mais que de repente, surge o CD “Poemas De Mil Compassos Vol. 01” com alguns desses poemas e um monte de bônus tracks. E como disse o Waldick Garrett no livro: “Escritores são artistas e artistas não entram em extinção!”. Confira abaixo o tracklist:
1. PERNA - Érika Machado
2. ALGUMA POESIA – Artur Gomes
3. URGÊNCIA - Maurício Zerk
4. INQUIETAÇÃO - Gaspar Silva
5. MELANCOLIA - Sueli Aduan
6. GATAMIA - Leandra Lil
7. BALADAS & SUSPIROS NO CARCÉRE DE INSIGHTS - Elenilson Nascimento
8. SE HÁ PAZ, SEI QUE O FAZ - Daniel Matos
9. ENTRE A VIDA E A MORTE - Eliane Silvestre
10. VOOS DA ALMA - Andréia de Oliveira
11. MEU DELEITE DERRAMADO - Ricardo Vieira
12. DE ONDE VEM A POESIA? - Brunno Andrade
13. COMENDO PEDRA - Márcio Mello
Bônus Tracks:
14. ESCREVA SUA HISTÓRIA - Toni Garrido
15. AUTO-INTERPRETAÇÃO - Elenilson Nascimento
16. DIÁLOGO ONÍSSORO - Cabeza Marginal
17. ME DIGA, FRANCISCA - Marina Lima
18. SECADOR, MAÇÃ E LENTE - Érika Machado
19. NOBRE VAGABUNDO - Márcio Mello
20. CAPITU - Zélia Ducan
21. FILTRO SOLAR - Pedro Bial
22. SAMBA DE VERÃO/GAROTA DE IPANEMA - Marcos Baô
23. SONETO DO AMOR TOTAL/SAMBA EM PRELÚDIO - Vinícius de Moraes c/ part. Quarteto em Cy

>>> CLIQUE AQUI e adquira o livro direto com a editora.
artwork: Elenilson Nascimento/Ewerton Thiago/Hugo Rafael Soares
fonte: Poemas de Mil Compassos

domingo, 2 de agosto de 2009

“Peguei em alguns poemas, letras de músicas minhas e alguns textos que tenho feito ao longo dos tempos e resolvi imprimi-los e fazer um livro completamente artesanal. Deu-me um gozo incrível passar as sucessivas etapas da encadernação. Estou muito contente por ter conseguido.” (G.S.) Gaspar Silva é poeta, pintor, músico e compositor português. Nasceu na cidade do Porto – Portugal, tem vários prêmios em festivais da canção, colaboração em várias peças de teatro na qualidade de autor musical e também é empresário ligado à indústria hoteleira. Além disso, ele faz parte da antologia “Poemas de Mil Compassos” da Coleção Literatura Clandestina/2009.
foto-montagem: Elenilson/LC




quarta-feira, 8 de julho de 2009

Entrevista no Literatura Clandestina

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

“De perfil fico aprumado, demasiado alinhado, feito múmia paralítica. Prefiro ser visto de frente, dar a cara galhardamente e enfrentar o que isso implica” (G.S.)

Alfredo de Morais, de Feira de Santana-BA, que além de poeta, psicólogo, sargento da Polícia Militar do Estado da Bahia, ator, escritor, dramaturgo e artista plástico, hoje atua nas áreas de projetos e melhoramento da Policia Militar e na área de educação no projeto do PEAS (*Programa de Educação Afetivo Sexual) da Arcellor Mital, capacitando professores da rede pública, sendo também professor de vários cursos em faculdades e universidades da cidade de Feira de Santana, entrevista o poeta, pintor, músico e compositor português Gaspar Silva. Gaspar nasceu na cidade do Porto – Portugal, tem vários prêmios em festivais da canção, colaboração em várias peças de teatro na qualidade de autor musical e também é empresário ligado à indústria hoteleira. Tanto Morais quanto Silva fazem parte da antologia “Poemas de Mil Compassos” (no prelo) da Coleção Literatura Clandestina/2009.
Alfredo de Morais – Gaspar é um prazer fazer uma entrevista com um artista tão completo como você. Considero o artista uma antena para o mundo, como se este fosse a parabólica dos sentidos, aquele que capta as respostas das perguntas não feitas. A partir do princípio que cada um tem sua dor e sente o mundo de uma forma própria, como você considera sua arte e qual sua fonte dentro deste universo artístico?
Gaspar Silva – O prazer é todo meu, caro Alfredo de Morais. Desde criança que me interesso muito pelas artes. Sou um autodidata nato e com exceção da música que sempre levei muito a sério, todas as outras vertentes ocorrem por impulsos, isto é, umas vezes pinto durante algum tempo, outras escrevo, depois componho, mas o que faço com uma certa regularidade é música. Ultimamente tenho escrito algumas peças para guitarra (vocês chamam de violão), e esta forma saltitante de produzir talvez tenha a ver com o fato de eu ser um tanto ao quanto inconstante e viver em busca de novos desafios, inspirado sempre no quotidiano e nas coisas que vão acontecendo à minha volta.
Alfredo de Morais – A Europa é o berço de diversas formas de arte, mas, sem dúvida, muitos artistas atuais vem beber nas fontes doces do Brasil. Você já foi ou é influenciado por algum músico brasileiro? Qual o estilo de música que você gosta de trabalhar?
Gaspar Silva – As minhas influências vão desde a música anglo-saxônica, passando pelo jazz, blues, bossa nova, etc, mas tenho uma admiração muito especial por Chico Buarque, Tom Jobim e Ivan Lins. No caso do Chico, acho que é mesmo adoração, esse aí é para mim, no que diz respeito à música popular, o maior compositor vivo do mundo. O ano passado assisti emocionado a um show dele aqui no Porto, foi simplesmente inesquecível, o homem é um gênio. Quanto ao estilo de música que mais gosto de trabalhar, aí torna-se complicado, porque estou habituado a fazer de tudo um pouco, nestes últimos tempos estou muito virado para os instrumentais.
“Peguei em alguns poemas, letras de músicas minhas e alguns textos que tenho feito ao longo dos tempos e resolvi imprimi-los e fazer um livro completamente artesanal. Deu-me um gozo incrível passar as sucessivas etapas da encadernação. Estou muito contente por ter conseguido. Aí está a foto de um exemplar único.”


Alfredo de Morais – Em 23 e 24 de junho se comemora o São João do Porto onde, não por acaso, coincide com a festa junina daqui. Neste evento podemos destacar as sardinhadas, os manjericos com as respectivas quadras sanjoaninas, o alho-porro, as marteladas e os bailaricos de freguesia Na nossa festa se destacam as canjicas, os quentões, as quadrilhas de São João e o forró. Como você definiria essa ligação cultural entre Brasil e Portugal? E qual o impacto em suas obras desta proximidade?
Gaspar Silva – A noite de São João é a mais tradicional festa da cidade do Porto. Novos e velhos saem para a rua e concentram-se essencialmente nas margens do Rio Douro junto à Ponte D. Luís. A partir das 21 horas começa a engrossar aquele mar de gente que entre as marteladas, sardinhas, bifanas e muita cerveja, vão ganhando posição para o espetáculo da noite, os fogos de artifício, que é um dos melhores do mundo e chega há durar quarenta minutos. Mas não é só aí que se festeja, acontecem bailaricos e petiscadas por tudo quanto é bairro nas redondezas. Tanto quanto sei, foram os portugueses que introduziram no Nordeste do Brasil as festas juninas, embora se festejem também em vários outros países na Europa. A não ser o fato de ter tocado durante muitos anos nas noitadas de São João nunca tive nada a ver, em termos criativos, com esses festejos, tive sim, com a composição de várias marchas para os desfiles que acontecem normalmente uma semana antes, onde cada freguesia do conselho se faz representar por uma rusga, com enfeites, carros alegóricos, bailarinos e uma banda musical. Percorrem várias artérias da cidade, pejadas de gente a assistir e terminam num local onde se apresentam perante um júri que depois de avaliá-las divulga as primeiras três do ano.

Alfredo de Morais – Em 2001 o Porto foi a capital européia da Cultura, de lá pra cá, o que mudou no panorama das artes na sua cidade?
Gaspar Silva – 2001 foi um ano muito rico em termos culturais. Da música e dança. Ao teatro, às artes plásticas, arquitetura e literatura, etc. Tudo aconteceu num ritmo verdadeiramente alucinante e com propostas de altíssima qualidade. Foram criadas imensas estruturas para o evento que, entretanto, criaram raízes e hoje são de uma grande importância para a cultura da cidade. A mais relevante no meu entender foi à concretização da Casa da Música. Ícone importante do Porto e região norte que embora não tenha sido concluída naquele ano conforme o projetado, mas demorou ainda mais quatro anos, mas é sem dúvida de extrema importância para a cultura desta zona.
Alfredo de Morais – Tripas à moda do Porto ou bacalhau à Gomes de Sá?
Gaspar Silva – São dois pratos muito apreciados pelos portugueses, prefiro as tripas à moda do Porto.
Alfredo de Morais – Você é hoteleiro em uma das cidades mais visitadas da Europa, como conciliar essas duas paixões, ou melhor, as suas várias paixões, artes e negócios?
Gaspar Silva – É uma questão de organização. Há um tempo para tudo e como quem corre por gosto não cansa, lá vou conseguindo o tempo necessário para darem largas (*asas) à imaginação.

>>>
Poemas do Gaspar recitados por Zélia Santos
Blogs do Gaspar: http://becodasartes.blogspot.com/
http://opaisdatanga.blogspot.com/
http://gasparsilva.blogspot.com/

fonte do painel a óleo e “Descanso"
(acrílico sobre tela prensada): Gaspar Silva


Retirado de http://www.literaturaclandestina.blogspot.com/




terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O meu perfil


De perfil fico aprumado,
demasiado alinhado,
feito múmia paralítica

Prefiro ser visto de frente,
dar a cara galhardamente
e enfrentar o que isso implica

Sou feliz quando componho
a música onde exponho
o que sinto no momento

Adoro passar p'rá tela,
óleo, acrílico, aguarela,
as asas do pensamento

A palavra, o trocadilho,
é como fazer um filho,
com amor, sem dose certa

Procuro viver em paz.
Esta vida é tão fugaz
e o futuro é parte incerta.



domingo, 22 de fevereiro de 2009

sábado, 15 de novembro de 2008

Vampiros


Vai tardando a mudança,
vão se enchendo os porcos sujos,
esmorece a esperança
que alguém enfrente os sabujos.

Vampiros... atacam as presas
e sugam o sangue que resta
de criaturas indefesas
à mercê da brutal besta.

Não desarmam enquanto houver,
onde possam cravar os dentes.
Nada os consegue deter
a eles e aos seus componentes.

A gula é de tal forma atróz,
desumana e tão pungente,
que nos torna muda a voz
e transforma em indigente.

Banqueiros e governantes,
vão destruindo a Nação,
a vigarizar são brilhantes
...são chulos de profissão.

...Mundo podre e mal cheiroso,
que premeia a crueldade.
Tem tanto de gracioso
como de promiscuidade.


sábado, 25 de outubro de 2008

Longe de ti



Longe de ti
tudo é triste e inglório,
tão banal e ilusório,
que só mesmo por chalaça
pode alguém erguer a taça
e dizer que me viu sorrir.

Longe de ti
tudo é escuro, vago e frio,
vai sem norte o meu navio,
à deriva, acabrunhado,
tenta em vão desesperado,
à loucura resistir.

Longe de ti
perco o meu próprio caudal,
passo ao estado imaterial,
desaguo em mar profundo,
deixo para sempre este mundo,
não vale a pena existir.




terça-feira, 7 de outubro de 2008

Fosse eu Rei


Fosse eu Rei e dar-te-ia
um jardim Celestial
p’ra colheres no dia a dia
rosas brancas de cristal

Dar-te-ia uma mansão
Toda forrada a veludo
À entrada um brasão
Com teu nome num escudo

Dava-te um lago encantado
Em forma de coração
Florido e delicado
A raiar a perfeição

Fosse eu Rei e dar-te-ia
este reino e o dos céus
p’ra que em minha companhia
sonhasses os sonhos meus

Dar-te-ia tudo aquilo
que soubesse quereres ter
se desejasses o Nilo
roubava-o p’ra te oferecer

Dava-te jóias e ouro
pratas, sedas e rubis
mereces tudo tesouro
és a minha flor de lis.



Gente que sente


A gente nasce
e faz-se
gente que sente.

Mente somente
por não ser crente.
É indecente
que alguém inteligente
faça com que se rebente
uma bomba em Hiroshima.

Francamente…

De repente o existente
sente que o seu parente
que é gente e também sente
que foi sempre mui decente
moribundo realmente
sofre só, sem que alguém tente
um carinho displicente.




sábado, 27 de setembro de 2008

Gaivota atrevida

Acordei sobressaltado,
com medo e angustiado,
que terrivel pesadelo!.
Estava eu no escritório
a fazer um relatório,
a puxar pelo cerebelo.

Quando tal, uma gaivota,
grandessissima idiota,
entra-me pela janela.
Poisa mesmo à minha frente
e com ar incongruente,
faz-se a mim à bicadela.

Tentei enxotá-la em vão
e naquela confusão
saltou p'ra cima de mim.
Aquele bico ameaçador,
eu ali em desfavor,
a assistir ao folhetim.

Defendi-me como pude,
com toda a plenitude,
p'ra resolver a questão.
Já me sentia cansado,
acordei desnorteado,
sem achar a solução.

O medo de uma bicada,
ou então duma cagada,
ainda me dá que pensar.
Vou pôr uma caçadeira
junto à mesa de cabeceira
para quando ela voltar.





sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Londres


Nas asas do sonho
que ao vento componho
vi Londres ao vivo.
Senti o seu cheiro
e fui timoneiro
dum tempo festivo

Museus, galerias,
jardins, poesias,
memórias sentidas.
Gente de outras raças
que enchem as praças,
ruas e avenidas

Muitos monumentos,
castelos, conventos,
torres e abadias.
Figuras de cera
numa atmosfera
de fantasia.

O pulsar da vida
luta desabrida
que o tempo escasseia.
A gente apinhada
no metro à molhada,
enorme colmeia.

Outros idiomas
posturas, aromas
e modos de estar.
Selectos, anarcas,
uns bons outros rascas
mas tudo a girar.

Não deu p'ra ver tudo
...é muito conteúdo
mas gostei de lá estar.
Adorei o que vi
e pelo que senti,
hei-de lá voltar.



sábado, 30 de agosto de 2008

Inquietação


Na segunda sou esperança
acredito e vou à luta.
Na terça sou militança,
cumpro, e sou prostituta.

Na quarta espero vencer
a frustração que desgasta.
Na quinta quero esquecer,
farto de vida madrasta.

Na sexta escondo a dor
que me consome as entranhas.
No sábado faço a rigor
o jogo das artimanhas.

Domingo devia parar,
relaxar desta agonia.
...continuo a trabalhar
enquanto tiver energia.



sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Quem sou...


Praticamente perdido
num mar d'incertezas e duvidas.
Estou para aqui recolhido,
inquieto, introvertido,
num jogo de escondidas.

Isto aqui é um inferno,
será que existe o paraiso?
Sou apenas subalterno
que vive um imenso inverno
na busca de algo conciso.

Tanto sonho esvoaçou,
tanta luta aconteceu,
porém, eu não sei quem sou,
sei apenas que aqui estou,
num mundo que não é o meu.

Serei obra inacabada
lançada aqui por engano?
Não me enquadro na fachada
deste tempo, qual jangada
à deriva no oceano.




sábado, 16 de agosto de 2008

A noite



…chegar a casa
de madrugada,
abrir a porta,
subir as escadas,
sentir o silêncio
da noite calma,
tirar os sapatos
e despir a roupa,
vestir o pijama,
calçar os chinelos,
o café com leite
e as torradinhas.

Depois no meu canto,
cantinho das artes,
o computador,
as longas pesquisas,
responder aos e-mail’s,
a Sic Noticias.

Sentir a brisa fresca
que entra pela janela,
desligar a luz,
saborear a calma,
pensar num poema,
deitar mãos à obra
e no teclado
verter coisas d’alma
bem de cá de dentro.

Muitos cigarros,
compor a canção,
a guitarrada on-line
para todo o mundo
com improvisos
do pensamento.

O desenho a carvão,
a flor a pastel,
a pintura louca
a acrílico ou a óleo.

… são tão preenchidas
as noites que adoro.
- Uf!, já é de manhã
vou-me deitar.



sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O ignorante



O ignorante
é irritante…
até dá dó.
Tem de estar só
senão chateia
e volta e meia
trás dissabores,
com os seus valores.
Ainda por cima
despreza a rima.
Sabe tudo
e amiúdo
troça da gente.
Incoerente
torna o instante
angustiante.
Vazio de tudo
o cascudo
adora álcool
e futebol,
e o seu mundo
não é rotundo,
é quadrado.
Inusitado
não liga a flores,
detesta as cores
dos seus rivais.
Não lê jornais
mas é feliz,
por isso fiz
este poema.
O problema
é que assim fico
com o fanico
de não saber,
a bendizer,
se vale a pena
ligar a antena
e estar atento
ao turbulento
quotidiano
do mundo insano
em que vivemos.
… Oremos!



quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Roda da vida


…fui chuva forte, pé d’água,
sou por do sol transcendente,
vou e volto com a lua,
ás vezes sou capicua
com loucura permanente.

Já fui homem, sou criança,
pela manhã corro o mundo,
de tarde agarro a esperança,
à noite só penso em vingança,
o ódio é mais que profundo.

E não fora a madrugada
já teria estoirado,
durmo sobre a caminhada,
descanso enquanto a minha fada
me alivia o costado.

Acordo na relva viçosa
do colo do seu jardim,
delicada a mariposa
sobrevoa bem charmosa
o seu rosto de setim.

O que vier… se verá,
cá estarei de peito aberto,
aqui, ali e acolá
o coração sabe ao certo
se a atitude é boa ou má.



terça-feira, 12 de agosto de 2008

Vindima


Magotes de gente
de cesto à cabeça
que arduamente
faz com que aconteça

Com muito carinho
alegre e contente
o milagre do vinho
dum ano diferente

O sol não desiste
o suor cai em bica
o camponês persiste
insiste com pica

Tesoura na mão
a cortar os cachos
com apetição
vencem berbicachos

Subindo a encosta
e descendo à vez
gente bem disposta
e com lucidez

Carrega o tractor
com o sémen da terra
esquece a dor
e ganha a guerra

Depois à tardinha
dentro do lagar
gozando a sombrinha
começam a pisar

Com passo acertado
fileira cerrada
andam braço dado
dão azo à cegada

Entoam cantigas
que sabem de cor
e as raparigas
dão o seu melhor

E assim nasce o vinho
parece magia
vinho com carinho
em paz e harmonia



segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Porta aberta


Se o sentimento te manda
voltar p’ra donde partiste,
não hesites e desanda,
não fiques nessa demanda,
podes crer que Deus existe.

Navega por rota certa,
livra-te dessa tormenta.
Aqui tens a porta aberta,
não arrisques e desperta,
é o oito ou o oitenta.

Tens à espera o abraço,
o carinho e a amizade.
O que nos une é um laço
tão forte que só há espaço
p’rá leal fraternidade.


sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Chão gretado


Quando invades o meu espaço
violentas o meu mundo.
Despertas em mim o cansaço,
Fazes-me ficar furibundo.

Semeias joio à toa,
sinto a seiva amordaçada,
perfuras o chão da canoa
que me há-de levar de abalada.

P’ra tudo há uma hora certa,
provérbio sacramental,
se mantenho a porta aberta
perco a aurora boreal

São mundos diferentes de todo,
de um puzle que não se completa.
Preciso do meu próprio nodo
já chega tanta pirueta.

O chão está já tão gretado
que jamais fará sentido,
com o coração apertado,
desta vez estou decidido.




sábado, 2 de agosto de 2008

Fado do desencontro


Quando mais preciso dele
mais o sinto afastado
quanto mais o amor me impele
mais me sinto descartado

Anda sempre em contra-mão,
Acho que não dá por mim
Ou é falta de atenção
Ou então é mesmo assim

Ela vive outra cadência,
faz o que lhe dá na gana
indiferente à carência
por vezes é desumana

Ignora o que eu sinto,
Sinto-me posto de lado
Não vê que ando faminto
Triste e inconsolado

Desce se vou a subir
sobe quando vou descer
não consigo descobrir
maneira de a convencer

Tenho esperança que um dia
Finalmente veja em mim
O seu porto e companhia
e embeleze o meu jardim.




sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Recordar é viver


Sentei-me na margem
do rio, que me viu
crescer e sonhar,
sofrer e saudar
gente que já partiu
e deixou muita saudade.
Gente com humildade,
gente de coragem,
que continuo a adorar.

A água passa lentamente
e o meu pensamento
vagueia no inventário
do tempo que já passou
e tanta marca deixou.
Percorro o cenário
que dava para o argumento
dum filme eloquente
ou talvez arbitrário.

Perdido em divagações
das lembranças que acarinho
nem dei pelo tempo passar,
a noite já está a chegar,
vou retomar o caminho,
tenho muito para andar.
Parto a custo e fico a olhar
grato pelas emoções
co’a certeza de voltar



quarta-feira, 30 de julho de 2008

Canto


Canto aquilo que penso,
deixo cheiro a incenso
a pairar por onde vou.
Partilho as emoções,
lanço ao vento ilusões
que o coração desenhou.

Danço quase sempre nu,
despido de qualquer tabu,
isento de hipoteca.
Descalço, co’a alma a vibrar,
não dou pela hora a passar
e ergo a minha caneca.

Infrinjo as leis bacocas,
obrigo-os a sair das tocas,
chamo os bois pelo nome.
Fervilha-me o sangue nas veias,
no meu peito marés-cheias
que a tirania consome.

Pinto com pincéis de fogo,
escrevo fora de jogo
sem renegar o que fiz.
Se amanhã morrer num canto,
não me causará espanto,
é assim que sou feliz.



sábado, 26 de julho de 2008

Liberdade


Não! Não me obriguem a fazer
nada contra os meus princípios
não estou pronto p’ra ceder
à proibição de escolher
todos os meus desafios

Respeitem o meu pensamento
deixem-me ser irrestrito
quero apenas ser isento
viver e dar cumprimento
àquilo em que acredito

Quero ter a liberdade
de escolher com o coração
a minha autenticidade
tem a ver co’a faculdade
de não ver só o cifrão

São coisas saídas do peito
que a cabeça faz fluir
é uma questão de conceito
por isso quando me deito
rezo a Deus p’ra me assistir.



quinta-feira, 24 de julho de 2008

Conversas



Falo muito co’as árvores,
converso com rios e ribeiros,
confesso os meus temores
utópicos e verdadeiros.

Conto segredos ao mar,
barafusto com os rochedos,
peço para me aconselhar,
p’ra me livrarem dos medos.

Ouço músicas que o vento
me trás de outras paragens
e ao som delas eu invento
as minhas próprias viagens.

Escrevo poemas na areia,
danço com a preia-mar,
depois aproveito a boleia
e navego p’ra me mimar.

Não me importa o que pensa
quem me vê falar sozinho,
tenho sempre a recompensa
- ouvem-me e dão-me colinho.




quarta-feira, 23 de julho de 2008

Poemas perdidos


Mal aprendi a escrever
comecei a rabiscar
pensamentos e a sorver
um mundo a despontar.

Em pedaços de papel…
Qualquer coisa me servia.
Comandava o meu batel,
com a força da alquimia.

Dava azo à utopia,
qual quimera afortunada,
fazia a apologia
da partilha abençoada.

Rimas vindas cá de dentro
feitas para as minhas divas,
no meu próprio epicentro,
conjugações positivas.

Imaginava canções,
inventando sóis e mares,
repartia emoções
com formas peculiares.

Quem me dera reaver
os poemas que perdi,
gostava de poder ler
coisas velhas que escrevi.

Por vezes deitamos fora
pedaços da nossa vida,
conteúdos que agora
não têm volta, só ida.



terça-feira, 22 de julho de 2008

Sopa de nabos


Nabos? Há montanhas por aí.
Babam-se na sua vaidade
E exibem a mesquinhez
que a sua postura indicia.
Quando falam sobressai
a imensa bestialidade,
falta de sensatez,
incongruência e malícia

Gosto deles… se for na sopa.
A sopa de nabos é boa.
De preferência quentinha,
servida em prato ou tigela.
A fumegar, quem não topa?
acompanhada com broa
seja em casa ou na tasquinha
pode até vir na panela.

Aquele gosto a feijão branco,
carne de porco e batata,
cenoura, nabo às rodelas,
cebola, alho e sal.
Juro que estou a ser franco…
Os nabos têm uma lata…
Estão muitos em Bruxelas
e agem de forma asnal.



quinta-feira, 17 de julho de 2008

Como em tantos outros dias



Hoje o sol banha a cidade
como em tantos outros dias…

As moçoilas desroupadas
que o calor faz-se sentir,
os turistas ocupados
a registar as imagens
p’ra mais tarde recordar.
A ida ao boteco mais próximo,
a cerveja bem gelada,
a olhadela no mapa
p’ra não perderem o norte.
O sentar à beira rio
num qualquer sitio com sombra,
que a caminhada vai longa,
e é preciso descansar.

Hoje eu curto a solidão
como em tantos outros dias…

Gasto o tempo que me resta
em pensamentos perdido.
Tudo à volta é tão banal,
nada acontece de novo,
as pessoas são diferentes
mas completamente iguais.
No meio de tanta gente
estou sozinho, deslocado,
preciso do meu cantinho
onde tudo é bem diferente.
Quero mesmo é estar comigo,
o silêncio sabe-me ouvir
e entende o que sinto.




segunda-feira, 14 de julho de 2008

Não me apetece sorrir...


Tudo à volta está cinzento
Vazio e despovoado
Cheira mesmo a desalento
Até mesmo o firmamento
Tem um tom amargurado

Não me apetece sorrir…

Esta chuva que detesto
Põe-me triste e sem vontade
De nada vale o protesto
O melhor é andar lesto
E aceitar a realidade

Não me apetece sorrir…

Que adianta querer sol
Num dia tão assombrado
Não ouço o rouxinol
Fazia-me jeito um cachecol
Ainda acabo constipado

Não me apetece sorrir…

Tudo é tosco e sem encanto
folhas mortas e apatia
É melhor ir para o meu canto
Que não há santa nem santo
Que me valha neste dia

Estou triste….
Não me apetece sorrir….