terça-feira, 13 de outubro de 2009

Nem carne nem peixe


Tenho p'ra mim
qu'isto assim
não é carne
nem é peixe.
A incerteza
está na mesa
e o pão qu'outrora
abundou...
já rareia.

A tristeza
atracou
no cais vazio
que agora
serve de poiso
às gaivotas
acossadas
pela fúria
dum mar cão
que chicota
impiedoso
tudo quanto
o olhar enxerga.

Tenho p´ra mim
qu'isto assim
jamais chega
a bom porto
Nasceu torto
e os timoneiros
quais rapina
são os primeiros
a cravar seus dentes
podres.

A esperança
já só reside
Lá no alto
em Deus Pai
Aqui,
ao fundo do túnel
tem um abismo
infinito
que a todos
há-de sugar.

Tenho p'ra mim
qu'isto assim
não é carne
nem é peixe.




sábado, 5 de setembro de 2009

Poemas de mil compassos

“Unindo forças através da ARTE, esses poetas mostram aqui que o nosso país ainda tem solução (*tem alguém aí que ainda acredita?), pois nós não fazemos ARTE para adestrar macacos!”Por Elenilson Nascimento
A cadeia de preconceitos contra os escritores novos começa com os chamados "intelectuais", que não querem conhecer o trabalho de autores que não têm seus nomes na lista de revistas semanais, e termina no livreiro, que se recusa a comprar e exibir os livros em suas estantes. Sem contar o comportamento da crítica literária deste país, que ignora solenemente autores “iniciantes”, contribuindo assim para que apenas algumas obras sejam "escolhidas".
Por isso, precisamos de DIÁLOGOS para as nossas INTERROGAÇÕES, mas a arrogância dos acadêmicos, das editoras e da imprensa não nos deixa mais opções de tenta tirar os nossos GEMIDOS pertinentes de criação de dentro das nossas gavetas (*ou melhor, dos nossos HDs). Hoje, mais do que nunca, temos que acreditar que a ARTE está vulnerável porque se faz inativa por estar sedentária nas prateleiras que exalam cheiro de revistas que alastram apenas fofocas.
E aproveitando esse clima de desonra em nosso país, abrem-se as portas para uma revolta (*não mais silenciosa), como já se começa a perceber, com movimentos variados e até com ataques antidemocráticos.
Por isso mesmo, de forma independente, o autor baiano Elenilson Nascimento (de “Poemas Perversos Para Cartas de Amor”, “Clandestinos” e outros) reuniu 51 artistas (de diferentes áreas), como Waldick Garrett, Airton Soares, Gaspar Silva, Andréa C Migliacci, Artur Gomes, Corisco (do Bando Virado no Móhi de Coentro), Daniel Matos, a cantora e compositora mineira Érika Machado, IkaRo MaxX, os cantores e compositores baianos Márcio Mello e Tonho Matéria, Paola Benevides, Uarlen Becker e outros, que se juntaram em torno da Poesia e lançaram esse livro “Poemas de Mil Compassos”. Além das poesias, o livro traz trechos de entrevistas com os participantes da antologia, com suas indignações, suas verves, seus desaforos e seus descontentamentos.
Unindo forças através da ARTE, esses poetas mostram aqui que o nosso país ainda tem solução (*tem alguém aí que ainda acredita?), pois nós não fazemos ARTE para adestrar macacos! A LITERATURA precisa de um sistema mais organizado, precisa de Políticas Públicas que preze pela formação de leitores e ter uma visão mais profissional, porque fazer um livro não é um processo banal. Então, erguei-vos, caros leitores!

CD POEMAS DE MIL COMPASSOS Vol. 01

Poemas de Mil Compassos Vol. 01 (álbum/2009). Neste ano de 2009, enfim, o nosso livro “Poemas de Mil Compassos” foi publicado, com participação de 51 poetas de todas as partes, inclusive de Portugal. Agora, de repente, não mais que de repente, surge o CD “Poemas De Mil Compassos Vol. 01” com alguns desses poemas e um monte de bônus tracks. E como disse o Waldick Garrett no livro: “Escritores são artistas e artistas não entram em extinção!”. Confira abaixo o tracklist:
1. PERNA - Érika Machado
2. ALGUMA POESIA – Artur Gomes
3. URGÊNCIA - Maurício Zerk
4. INQUIETAÇÃO - Gaspar Silva
5. MELANCOLIA - Sueli Aduan
6. GATAMIA - Leandra Lil
7. BALADAS & SUSPIROS NO CARCÉRE DE INSIGHTS - Elenilson Nascimento
8. SE HÁ PAZ, SEI QUE O FAZ - Daniel Matos
9. ENTRE A VIDA E A MORTE - Eliane Silvestre
10. VOOS DA ALMA - Andréia de Oliveira
11. MEU DELEITE DERRAMADO - Ricardo Vieira
12. DE ONDE VEM A POESIA? - Brunno Andrade
13. COMENDO PEDRA - Márcio Mello
Bônus Tracks:
14. ESCREVA SUA HISTÓRIA - Toni Garrido
15. AUTO-INTERPRETAÇÃO - Elenilson Nascimento
16. DIÁLOGO ONÍSSORO - Cabeza Marginal
17. ME DIGA, FRANCISCA - Marina Lima
18. SECADOR, MAÇÃ E LENTE - Érika Machado
19. NOBRE VAGABUNDO - Márcio Mello
20. CAPITU - Zélia Ducan
21. FILTRO SOLAR - Pedro Bial
22. SAMBA DE VERÃO/GAROTA DE IPANEMA - Marcos Baô
23. SONETO DO AMOR TOTAL/SAMBA EM PRELÚDIO - Vinícius de Moraes c/ part. Quarteto em Cy

>>> CLIQUE AQUI e adquira o livro direto com a editora.
artwork: Elenilson Nascimento/Ewerton Thiago/Hugo Rafael Soares
fonte: Poemas de Mil Compassos

domingo, 2 de agosto de 2009

“Peguei em alguns poemas, letras de músicas minhas e alguns textos que tenho feito ao longo dos tempos e resolvi imprimi-los e fazer um livro completamente artesanal. Deu-me um gozo incrível passar as sucessivas etapas da encadernação. Estou muito contente por ter conseguido.” (G.S.) Gaspar Silva é poeta, pintor, músico e compositor português. Nasceu na cidade do Porto – Portugal, tem vários prêmios em festivais da canção, colaboração em várias peças de teatro na qualidade de autor musical e também é empresário ligado à indústria hoteleira. Além disso, ele faz parte da antologia “Poemas de Mil Compassos” da Coleção Literatura Clandestina/2009.
foto-montagem: Elenilson/LC




quarta-feira, 8 de julho de 2009

Entrevista no Literatura Clandestina

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

“De perfil fico aprumado, demasiado alinhado, feito múmia paralítica. Prefiro ser visto de frente, dar a cara galhardamente e enfrentar o que isso implica” (G.S.)

Alfredo de Morais, de Feira de Santana-BA, que além de poeta, psicólogo, sargento da Polícia Militar do Estado da Bahia, ator, escritor, dramaturgo e artista plástico, hoje atua nas áreas de projetos e melhoramento da Policia Militar e na área de educação no projeto do PEAS (*Programa de Educação Afetivo Sexual) da Arcellor Mital, capacitando professores da rede pública, sendo também professor de vários cursos em faculdades e universidades da cidade de Feira de Santana, entrevista o poeta, pintor, músico e compositor português Gaspar Silva. Gaspar nasceu na cidade do Porto – Portugal, tem vários prêmios em festivais da canção, colaboração em várias peças de teatro na qualidade de autor musical e também é empresário ligado à indústria hoteleira. Tanto Morais quanto Silva fazem parte da antologia “Poemas de Mil Compassos” (no prelo) da Coleção Literatura Clandestina/2009.
Alfredo de Morais – Gaspar é um prazer fazer uma entrevista com um artista tão completo como você. Considero o artista uma antena para o mundo, como se este fosse a parabólica dos sentidos, aquele que capta as respostas das perguntas não feitas. A partir do princípio que cada um tem sua dor e sente o mundo de uma forma própria, como você considera sua arte e qual sua fonte dentro deste universo artístico?
Gaspar Silva – O prazer é todo meu, caro Alfredo de Morais. Desde criança que me interesso muito pelas artes. Sou um autodidata nato e com exceção da música que sempre levei muito a sério, todas as outras vertentes ocorrem por impulsos, isto é, umas vezes pinto durante algum tempo, outras escrevo, depois componho, mas o que faço com uma certa regularidade é música. Ultimamente tenho escrito algumas peças para guitarra (vocês chamam de violão), e esta forma saltitante de produzir talvez tenha a ver com o fato de eu ser um tanto ao quanto inconstante e viver em busca de novos desafios, inspirado sempre no quotidiano e nas coisas que vão acontecendo à minha volta.
Alfredo de Morais – A Europa é o berço de diversas formas de arte, mas, sem dúvida, muitos artistas atuais vem beber nas fontes doces do Brasil. Você já foi ou é influenciado por algum músico brasileiro? Qual o estilo de música que você gosta de trabalhar?
Gaspar Silva – As minhas influências vão desde a música anglo-saxônica, passando pelo jazz, blues, bossa nova, etc, mas tenho uma admiração muito especial por Chico Buarque, Tom Jobim e Ivan Lins. No caso do Chico, acho que é mesmo adoração, esse aí é para mim, no que diz respeito à música popular, o maior compositor vivo do mundo. O ano passado assisti emocionado a um show dele aqui no Porto, foi simplesmente inesquecível, o homem é um gênio. Quanto ao estilo de música que mais gosto de trabalhar, aí torna-se complicado, porque estou habituado a fazer de tudo um pouco, nestes últimos tempos estou muito virado para os instrumentais.
“Peguei em alguns poemas, letras de músicas minhas e alguns textos que tenho feito ao longo dos tempos e resolvi imprimi-los e fazer um livro completamente artesanal. Deu-me um gozo incrível passar as sucessivas etapas da encadernação. Estou muito contente por ter conseguido. Aí está a foto de um exemplar único.”


Alfredo de Morais – Em 23 e 24 de junho se comemora o São João do Porto onde, não por acaso, coincide com a festa junina daqui. Neste evento podemos destacar as sardinhadas, os manjericos com as respectivas quadras sanjoaninas, o alho-porro, as marteladas e os bailaricos de freguesia Na nossa festa se destacam as canjicas, os quentões, as quadrilhas de São João e o forró. Como você definiria essa ligação cultural entre Brasil e Portugal? E qual o impacto em suas obras desta proximidade?
Gaspar Silva – A noite de São João é a mais tradicional festa da cidade do Porto. Novos e velhos saem para a rua e concentram-se essencialmente nas margens do Rio Douro junto à Ponte D. Luís. A partir das 21 horas começa a engrossar aquele mar de gente que entre as marteladas, sardinhas, bifanas e muita cerveja, vão ganhando posição para o espetáculo da noite, os fogos de artifício, que é um dos melhores do mundo e chega há durar quarenta minutos. Mas não é só aí que se festeja, acontecem bailaricos e petiscadas por tudo quanto é bairro nas redondezas. Tanto quanto sei, foram os portugueses que introduziram no Nordeste do Brasil as festas juninas, embora se festejem também em vários outros países na Europa. A não ser o fato de ter tocado durante muitos anos nas noitadas de São João nunca tive nada a ver, em termos criativos, com esses festejos, tive sim, com a composição de várias marchas para os desfiles que acontecem normalmente uma semana antes, onde cada freguesia do conselho se faz representar por uma rusga, com enfeites, carros alegóricos, bailarinos e uma banda musical. Percorrem várias artérias da cidade, pejadas de gente a assistir e terminam num local onde se apresentam perante um júri que depois de avaliá-las divulga as primeiras três do ano.

Alfredo de Morais – Em 2001 o Porto foi a capital européia da Cultura, de lá pra cá, o que mudou no panorama das artes na sua cidade?
Gaspar Silva – 2001 foi um ano muito rico em termos culturais. Da música e dança. Ao teatro, às artes plásticas, arquitetura e literatura, etc. Tudo aconteceu num ritmo verdadeiramente alucinante e com propostas de altíssima qualidade. Foram criadas imensas estruturas para o evento que, entretanto, criaram raízes e hoje são de uma grande importância para a cultura da cidade. A mais relevante no meu entender foi à concretização da Casa da Música. Ícone importante do Porto e região norte que embora não tenha sido concluída naquele ano conforme o projetado, mas demorou ainda mais quatro anos, mas é sem dúvida de extrema importância para a cultura desta zona.
Alfredo de Morais – Tripas à moda do Porto ou bacalhau à Gomes de Sá?
Gaspar Silva – São dois pratos muito apreciados pelos portugueses, prefiro as tripas à moda do Porto.
Alfredo de Morais – Você é hoteleiro em uma das cidades mais visitadas da Europa, como conciliar essas duas paixões, ou melhor, as suas várias paixões, artes e negócios?
Gaspar Silva – É uma questão de organização. Há um tempo para tudo e como quem corre por gosto não cansa, lá vou conseguindo o tempo necessário para darem largas (*asas) à imaginação.

>>>
Poemas do Gaspar recitados por Zélia Santos
Blogs do Gaspar: http://becodasartes.blogspot.com/
http://opaisdatanga.blogspot.com/
http://gasparsilva.blogspot.com/

fonte do painel a óleo e “Descanso"
(acrílico sobre tela prensada): Gaspar Silva


Retirado de http://www.literaturaclandestina.blogspot.com/




terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O meu perfil


De perfil fico aprumado,
demasiado alinhado,
feito múmia paralítica

Prefiro ser visto de frente,
dar a cara galhardamente
e enfrentar o que isso implica

Sou feliz quando componho
a música onde exponho
o que sinto no momento

Adoro passar p'rá tela,
óleo, acrílico, aguarela,
as asas do pensamento

A palavra, o trocadilho,
é como fazer um filho,
com amor, sem dose certa

Procuro viver em paz.
Esta vida é tão fugaz
e o futuro é parte incerta.



domingo, 22 de fevereiro de 2009

Poemas meus recitados por Zélia Santos

A Porta

Já é sadismo

Resignação


na voz de Zélia Santos




sábado, 15 de novembro de 2008

Vampiros


Vai tardando a mudança,
vão se enchendo os porcos sujos,
esmorece a esperança
que alguém enfrente os sabujos.

Vampiros... atacam as presas
e sugam o sangue que resta
de criaturas indefesas
à mercê da brutal besta.

Não desarmam enquanto houver,
onde possam cravar os dentes.
Nada os consegue deter
a eles e aos seus componentes.

A gula é de tal forma atróz,
desumana e tão pungente,
que nos torna muda a voz
e transforma em indigente.

Banqueiros e governantes,
vão destruindo a Nação,
a vigarizar são brilhantes
...são chulos de profissão.

...Mundo podre e mal cheiroso,
que premeia a crueldade.
Tem tanto de gracioso
como de promiscuidade.


sábado, 25 de outubro de 2008

Longe de ti



Longe de ti
tudo é triste e inglório,
tão banal e ilusório,
que só mesmo por chalaça
pode alguém erguer a taça
e dizer que me viu sorrir.

Longe de ti
tudo é escuro, vago e frio,
vai sem norte o meu navio,
à deriva, acabrunhado,
tenta em vão desesperado,
à loucura resistir.

Longe de ti
perco o meu próprio caudal,
passo ao estado imaterial,
desaguo em mar profundo,
deixo para sempre este mundo,
não vale a pena existir.




terça-feira, 7 de outubro de 2008

Fosse eu Rei


Fosse eu Rei e dar-te-ia
um jardim Celestial
p’ra colheres no dia a dia
rosas brancas de cristal

Dar-te-ia uma mansão
Toda forrada a veludo
À entrada um brasão
Com teu nome num escudo

Dava-te um lago encantado
Em forma de coração
Florido e delicado
A raiar a perfeição

Fosse eu Rei e dar-te-ia
este reino e o dos céus
p’ra que em minha companhia
sonhasses os sonhos meus

Dar-te-ia tudo aquilo
que soubesse quereres ter
se desejasses o Nilo
roubava-o p’ra te oferecer

Dava-te jóias e ouro
pratas, sedas e rubis
mereces tudo tesouro
és a minha flor de lis.



Gente que sente


A gente nasce
e faz-se
gente que sente.

Mente somente
por não ser crente.
É indecente
que alguém inteligente
faça com que se rebente
uma bomba em Hiroshima.

Francamente…

De repente o existente
sente que o seu parente
que é gente e também sente
que foi sempre mui decente
moribundo realmente
sofre só, sem que alguém tente
um carinho displicente.




sábado, 27 de setembro de 2008

Gaivota atrevida

Acordei sobressaltado,
com medo e angustiado,
que terrivel pesadelo!.
Estava eu no escritório
a fazer um relatório,
a puxar pelo cerebelo.

Quando tal, uma gaivota,
grandessissima idiota,
entra-me pela janela.
Poisa mesmo à minha frente
e com ar incongruente,
faz-se a mim à bicadela.

Tentei enxotá-la em vão
e naquela confusão
saltou p'ra cima de mim.
Aquele bico ameaçador,
eu ali em desfavor,
a assistir ao folhetim.

Defendi-me como pude,
com toda a plenitude,
p'ra resolver a questão.
Já me sentia cansado,
acordei desnorteado,
sem achar a solução.

O medo de uma bicada,
ou então duma cagada,
ainda me dá que pensar.
Vou pôr uma caçadeira
junto à mesa de cabeceira
para quando ela voltar.





sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Londres


Nas asas do sonho
que ao vento componho
vi Londres ao vivo.
Senti o seu cheiro
e fui timoneiro
dum tempo festivo

Museus, galerias,
jardins, poesias,
memórias sentidas.
Gente de outras raças
que enchem as praças,
ruas e avenidas

Muitos monumentos,
castelos, conventos,
torres e abadias.
Figuras de cera
numa atmosfera
de fantasia.

O pulsar da vida
luta desabrida
que o tempo escasseia.
A gente apinhada
no metro à molhada,
enorme colmeia.

Outros idiomas
posturas, aromas
e modos de estar.
Selectos, anarcas,
uns bons outros rascas
mas tudo a girar.

Não deu p'ra ver tudo
...é muito conteúdo
mas gostei de lá estar.
Adorei o que vi
e pelo que senti,
hei-de lá voltar.



sábado, 30 de agosto de 2008

Inquietação


Na segunda sou esperança
acredito e vou à luta.
Na terça sou militança,
cumpro, e sou prostituta.

Na quarta espero vencer
a frustração que desgasta.
Na quinta quero esquecer,
farto de vida madrasta.

Na sexta escondo a dor
que me consome as entranhas.
No sábado faço a rigor
o jogo das artimanhas.

Domingo devia parar,
relaxar desta agonia.
...continuo a trabalhar
enquanto tiver energia.



sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Quem sou...


Praticamente perdido
num mar d'incertezas e duvidas.
Estou para aqui recolhido,
inquieto, introvertido,
num jogo de escondidas.

Isto aqui é um inferno,
será que existe o paraiso?
Sou apenas subalterno
que vive um imenso inverno
na busca de algo conciso.

Tanto sonho esvoaçou,
tanta luta aconteceu,
porém, eu não sei quem sou,
sei apenas que aqui estou,
num mundo que não é o meu.

Serei obra inacabada
lançada aqui por engano?
Não me enquadro na fachada
deste tempo, qual jangada
à deriva no oceano.




sábado, 16 de agosto de 2008

A noite



…chegar a casa
de madrugada,
abrir a porta,
subir as escadas,
sentir o silêncio
da noite calma,
tirar os sapatos
e despir a roupa,
vestir o pijama,
calçar os chinelos,
o café com leite
e as torradinhas.

Depois no meu canto,
cantinho das artes,
o computador,
as longas pesquisas,
responder aos e-mail’s,
a Sic Noticias.

Sentir a brisa fresca
que entra pela janela,
desligar a luz,
saborear a calma,
pensar num poema,
deitar mãos à obra
e no teclado
verter coisas d’alma
bem de cá de dentro.

Muitos cigarros,
compor a canção,
a guitarrada on-line
para todo o mundo
com improvisos
do pensamento.

O desenho a carvão,
a flor a pastel,
a pintura louca
a acrílico ou a óleo.

… são tão preenchidas
as noites que adoro.
- Uf!, já é de manhã
vou-me deitar.



sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O ignorante



O ignorante
é irritante…
até dá dó.
Tem de estar só
senão chateia
e volta e meia
trás dissabores,
com os seus valores.
Ainda por cima
despreza a rima.
Sabe tudo
e amiúdo
troça da gente.
Incoerente
torna o instante
angustiante.
Vazio de tudo
o cascudo
adora álcool
e futebol,
e o seu mundo
não é rotundo,
é quadrado.
Inusitado
não liga a flores,
detesta as cores
dos seus rivais.
Não lê jornais
mas é feliz,
por isso fiz
este poema.
O problema
é que assim fico
com o fanico
de não saber,
a bendizer,
se vale a pena
ligar a antena
e estar atento
ao turbulento
quotidiano
do mundo insano
em que vivemos.
… Oremos!



quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Roda da vida


…fui chuva forte, pé d’água,
sou por do sol transcendente,
vou e volto com a lua,
ás vezes sou capicua
com loucura permanente.

Já fui homem, sou criança,
pela manhã corro o mundo,
de tarde agarro a esperança,
à noite só penso em vingança,
o ódio é mais que profundo.

E não fora a madrugada
já teria estoirado,
durmo sobre a caminhada,
descanso enquanto a minha fada
me alivia o costado.

Acordo na relva viçosa
do colo do seu jardim,
delicada a mariposa
sobrevoa bem charmosa
o seu rosto de setim.

O que vier… se verá,
cá estarei de peito aberto,
aqui, ali e acolá
o coração sabe ao certo
se a atitude é boa ou má.



terça-feira, 12 de agosto de 2008

Vindima


Magotes de gente
de cesto à cabeça
que arduamente
faz com que aconteça

Com muito carinho
alegre e contente
o milagre do vinho
dum ano diferente

O sol não desiste
o suor cai em bica
o camponês persiste
insiste com pica

Tesoura na mão
a cortar os cachos
com apetição
vencem berbicachos

Subindo a encosta
e descendo à vez
gente bem disposta
e com lucidez

Carrega o tractor
com o sémen da terra
esquece a dor
e ganha a guerra

Depois à tardinha
dentro do lagar
gozando a sombrinha
começam a pisar

Com passo acertado
fileira cerrada
andam braço dado
dão azo à cegada

Entoam cantigas
que sabem de cor
e as raparigas
dão o seu melhor

E assim nasce o vinho
parece magia
vinho com carinho
em paz e harmonia



segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Porta aberta


Se o sentimento te manda
voltar p’ra donde partiste,
não hesites e desanda,
não fiques nessa demanda,
podes crer que Deus existe.

Navega por rota certa,
livra-te dessa tormenta.
Aqui tens a porta aberta,
não arrisques e desperta,
é o oito ou o oitenta.

Tens à espera o abraço,
o carinho e a amizade.
O que nos une é um laço
tão forte que só há espaço
p’rá leal fraternidade.


sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Chão gretado


Quando invades o meu espaço
violentas o meu mundo.
Despertas em mim o cansaço,
Fazes-me ficar furibundo.

Semeias joio à toa,
sinto a seiva amordaçada,
perfuras o chão da canoa
que me há-de levar de abalada.

P’ra tudo há uma hora certa,
provérbio sacramental,
se mantenho a porta aberta
perco a aurora boreal

São mundos diferentes de todo,
de um puzle que não se completa.
Preciso do meu próprio nodo
já chega tanta pirueta.

O chão está já tão gretado
que jamais fará sentido,
com o coração apertado,
desta vez estou decidido.




sábado, 2 de agosto de 2008

Fado do desencontro


Quando mais preciso dele
mais o sinto afastado
quanto mais o amor me impele
mais me sinto descartado

Anda sempre em contra-mão,
Acho que não dá por mim
Ou é falta de atenção
Ou então é mesmo assim

Ela vive outra cadência,
faz o que lhe dá na gana
indiferente à carência
por vezes é desumana

Ignora o que eu sinto,
Sinto-me posto de lado
Não vê que ando faminto
Triste e inconsolado

Desce se vou a subir
sobe quando vou descer
não consigo descobrir
maneira de a convencer

Tenho esperança que um dia
Finalmente veja em mim
O seu porto e companhia
e embeleze o meu jardim.




sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Recordar é viver


Sentei-me na margem
do rio, que me viu
crescer e sonhar,
sofrer e saudar
gente que já partiu
e deixou muita saudade.
Gente com humildade,
gente de coragem,
que continuo a adorar.

A água passa lentamente
e o meu pensamento
vagueia no inventário
do tempo que já passou
e tanta marca deixou.
Percorro o cenário
que dava para o argumento
dum filme eloquente
ou talvez arbitrário.

Perdido em divagações
das lembranças que acarinho
nem dei pelo tempo passar,
a noite já está a chegar,
vou retomar o caminho,
tenho muito para andar.
Parto a custo e fico a olhar
grato pelas emoções
co’a certeza de voltar



quarta-feira, 30 de julho de 2008

Canto


Canto aquilo que penso,
deixo cheiro a incenso
a pairar por onde vou.
Partilho as emoções,
lanço ao vento ilusões
que o coração desenhou.

Danço quase sempre nu,
despido de qualquer tabu,
isento de hipoteca.
Descalço, co’a alma a vibrar,
não dou pela hora a passar
e ergo a minha caneca.

Infrinjo as leis bacocas,
obrigo-os a sair das tocas,
chamo os bois pelo nome.
Fervilha-me o sangue nas veias,
no meu peito marés-cheias
que a tirania consome.

Pinto com pincéis de fogo,
escrevo fora de jogo
sem renegar o que fiz.
Se amanhã morrer num canto,
não me causará espanto,
é assim que sou feliz.



sábado, 26 de julho de 2008

Liberdade


Não! Não me obriguem a fazer
nada contra os meus princípios
não estou pronto p’ra ceder
à proibição de escolher
todos os meus desafios

Respeitem o meu pensamento
deixem-me ser irrestrito
quero apenas ser isento
viver e dar cumprimento
àquilo em que acredito

Quero ter a liberdade
de escolher com o coração
a minha autenticidade
tem a ver co’a faculdade
de não ver só o cifrão

São coisas saídas do peito
que a cabeça faz fluir
é uma questão de conceito
por isso quando me deito
rezo a Deus p’ra me assistir.



quinta-feira, 24 de julho de 2008

Conversas



Falo muito co’as árvores,
converso com rios e ribeiros,
confesso os meus temores
utópicos e verdadeiros.

Conto segredos ao mar,
barafusto com os rochedos,
peço para me aconselhar,
p’ra me livrarem dos medos.

Ouço músicas que o vento
me trás de outras paragens
e ao som delas eu invento
as minhas próprias viagens.

Escrevo poemas na areia,
danço com a preia-mar,
depois aproveito a boleia
e navego p’ra me mimar.

Não me importa o que pensa
quem me vê falar sozinho,
tenho sempre a recompensa
- ouvem-me e dão-me colinho.




quarta-feira, 23 de julho de 2008

Poemas perdidos


Mal aprendi a escrever
comecei a rabiscar
pensamentos e a sorver
um mundo a despontar.

Em pedaços de papel…
Qualquer coisa me servia.
Comandava o meu batel,
com a força da alquimia.

Dava azo à utopia,
qual quimera afortunada,
fazia a apologia
da partilha abençoada.

Rimas vindas cá de dentro
feitas para as minhas divas,
no meu próprio epicentro,
conjugações positivas.

Imaginava canções,
inventando sóis e mares,
repartia emoções
com formas peculiares.

Quem me dera reaver
os poemas que perdi,
gostava de poder ler
coisas velhas que escrevi.

Por vezes deitamos fora
pedaços da nossa vida,
conteúdos que agora
não têm volta, só ida.



terça-feira, 22 de julho de 2008

Sopa de nabos


Nabos? Há montanhas por aí.
Babam-se na sua vaidade
E exibem a mesquinhez
que a sua postura indicia.
Quando falam sobressai
a imensa bestialidade,
falta de sensatez,
incongruência e malícia

Gosto deles… se for na sopa.
A sopa de nabos é boa.
De preferência quentinha,
servida em prato ou tigela.
A fumegar, quem não topa?
acompanhada com broa
seja em casa ou na tasquinha
pode até vir na panela.

Aquele gosto a feijão branco,
carne de porco e batata,
cenoura, nabo às rodelas,
cebola, alho e sal.
Juro que estou a ser franco…
Os nabos têm uma lata…
Estão muitos em Bruxelas
e agem de forma asnal.



quinta-feira, 17 de julho de 2008

Como em tantos outros dias



Hoje o sol banha a cidade
como em tantos outros dias…

As moçoilas desroupadas
que o calor faz-se sentir,
os turistas ocupados
a registar as imagens
p’ra mais tarde recordar.
A ida ao boteco mais próximo,
a cerveja bem gelada,
a olhadela no mapa
p’ra não perderem o norte.
O sentar à beira rio
num qualquer sitio com sombra,
que a caminhada vai longa,
e é preciso descansar.

Hoje eu curto a solidão
como em tantos outros dias…

Gasto o tempo que me resta
em pensamentos perdido.
Tudo à volta é tão banal,
nada acontece de novo,
as pessoas são diferentes
mas completamente iguais.
No meio de tanta gente
estou sozinho, deslocado,
preciso do meu cantinho
onde tudo é bem diferente.
Quero mesmo é estar comigo,
o silêncio sabe-me ouvir
e entende o que sinto.




segunda-feira, 14 de julho de 2008

Não me apetece sorrir...


Tudo à volta está cinzento
Vazio e despovoado
Cheira mesmo a desalento
Até mesmo o firmamento
Tem um tom amargurado

Não me apetece sorrir…

Esta chuva que detesto
Põe-me triste e sem vontade
De nada vale o protesto
O melhor é andar lesto
E aceitar a realidade

Não me apetece sorrir…

Que adianta querer sol
Num dia tão assombrado
Não ouço o rouxinol
Fazia-me jeito um cachecol
Ainda acabo constipado

Não me apetece sorrir…

Tudo é tosco e sem encanto
folhas mortas e apatia
É melhor ir para o meu canto
Que não há santa nem santo
Que me valha neste dia

Estou triste….
Não me apetece sorrir….



domingo, 13 de julho de 2008

Estado da nação



Mil oitocentos e sessenta e sete!

Há cento e quarenta e um anos
o Eça de Queiroz dizia,
que os ministros Lusitanos
eram de todo insanos
e causavam alergia.

Todos muito inteligentes
"quem fala assim não é gago"
dominam todas as frentes
com soluções excelentes,
tudo gente do carago.

Jantares e inaugurações,
privilégios, compadrios,
vaidades e corrupções,
roubos de muitos milhões,
e o povo... de bolsos vazios.

Um país de expediente
mergulhado em nulidade,
onde tudo é aparente,
imoral, incompetente,
reles, sem dignidade.

Hoje como antigamente
não há ponta onde pegar,
como havemos de ir p'rá frente
com este tipo de gente
que só se quer governar.



sexta-feira, 11 de julho de 2008

Oh! tempo



Com passo certo e seguro
Em cadência pendular
Segue directo ao futuro
Indiferente ao meu apuro
Nada o consegue abalar

Vai em frente e não regressa
Despreza todo o passado
O amanhã é que interessa
Não pára porque tem pressa
Parece que está atrasado

Onde está a meninice
E a inocência que perdi?
Porque corro p’rá velhice
Devolve-me a fedelhice
Que saiba não ta vendi

Oh! Tempo faz como o vento
Vai e volta vez em quando
Que a saudade que acalento
Precisa viver o momento
Que o coração vai clamando.




quinta-feira, 10 de julho de 2008

De bem com a vida



Hoje estou de bem com a vida
Estou de bem comigo próprio
Vida colorida, embebida
No meu sonho e livre arbítrio

Falo co’as flores, elas ouvem
E largam suave fragrância
Sorvo o perfume que anuem
E voo nos céus da existência

Largo cantigas ao vento
Paridas pelo coração
Com notas que o pensamento
Me põe na palma da mão

Chamar-lhe estado de graça
Talvez seja o mais correcto
Hoje posso erguer a taça
Amanhã não sei ao certo.



domingo, 10 de fevereiro de 2008

A chuva cai


A chuva cai
e molha o rosto
da criança que segura
o guarda chuva
contra o vento
com bravura
mas acaba encharcado

A chuva cai
e a velhinha
procura desesperada
um recanto abrigado
p'ra esperar
que o aguaceiro
dê lugar ao tempo bom
e a deixe p'ra casa voltar

A chuva cai
e parte a flor
que indefesa não aguenta
as grossas gotas
que se abatem
em cima do frágil corpo
que não tem capacidade
de enfrentar
tamanho embate

A chuva cai
vai-se a alegria
fica tudo pachorrento
ninguém sabe como estar
apenas o lavrador
dá graças pelo mau tempo
que a seca estava a matar
o que tinha plantado.





sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Criação


Nos acordes que produzo,
obtuso e convexo,
sem nexo, procuro a harmonia
magia do momento superior
- o esplendor do sublime!

Rime ou não,
sem padrão
nem regras a amordaçar

Criar é construir,
parir o sonho inventado
polvilhado com amor,
sem temor de que o futuro
obscuro e sem razão
não entenda a canção.




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Que bom seria


Quem dera a Bela entendesse
Os sonhos que eu alimento
E me desse a benesse
De ser meu complemento

Quem dera a Bela soubesse
Que há mundo p’ra lá do mundo
Demonstrasse algum interesse
Por algo de mais profundo

Quem dera visse mais além
Sentisse o grito calado
Desta alma destroçada

Que apenas quer o seu bem
Prefere ser magoado
A vê-la desencantada.



quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Aos meus filhos

Achou Deus que eu merecia
ser feliz e deu-me um dia
uma flor maravilhosa
Rosa bela e formosa
P'ra com muito amor criar.

Depois deu-me um cravo lindo
que recebi sorrindo
e muito agradeci
Prenda que nunca esqueci
e não canso de mimar.

Duas flores encantadas
que por serem desejadas
só podiam florescer
Foi tão bom vê-las crescer
felizes e com saúde.

Hoje estão já bem crescidas
são donas das suas vidas
tenho orgulho do que são.
Do fundo do coração
peço a Deus que as ajude.

Amo-as muito e vou estar
sempre atento e a abençoar
o caminho que escolherem
P'ra que tudo o que fizerem
seja da sua vontade.

Um grande beijo e o recado:
Estarei sempre ao vosso lado
e mesmo quando me for
zelarei com muito amor
pela vossa felicidade.






quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Lembranças


O futuro é importante
fonte de preocupação.
Esta vida alucinante
feroz e beligerante
é regida pelo cifrão.

Esta louca correria
onde nem todos vencemos
massacra dia após dia
e transforma em anarquia
aquilo que de bom temos.

Ninguém pára p'ra pensar
- há que lutar pelo pão!
Não há tempo para amar
dar um carinho, abraçar
quem precisa de afeição.

O passado é esquecido
o que interessa é o presente,
quando tudo é decidido
em função do tempo ido,
tudo está adjacente.

Recordar é reviver
e ver o caminho andado
coitado de quem não tiver
lembranças, para aprender
com os erros do passado.





terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Um dia...


Um dia serei levado
daqui para o outro lado
pela brisa refrescante
qual pluma flutuante
corpo aberto e disperso
pelos céus do universo.

Despido de coisas terrenas
levando comigo apenas
a paz do dever cumprido
sem o mais leve gemido
de consciência lavada
e condição elevada.

Um dia serei levado
daqui para o outro lado
tranquilo e sem rancor
apenas com o amargor
de não conseguir ajudar
gente que vive a penar.

Quando Deus me receber
vou poder esclarecer
coisas que nunca entendi
ele sabe que sempre pedi
pelos mais necessitados
pelos eternos adiados.

Com certeza há uma razão
difícil à nossa visão
e que custa aceitar
Temos é que acatar
porque Deus é só bondade
e quer a nossa felicidade.





segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Rotina


A rotina não ajuda
a atingir objectivos
é estática e nunca muda
atrofia os incentivos

No trabalho faz quebrar
a corrente que alimenta
a vontade de alcançar
o sonho que se acalenta

Nas relações de amizade
atrai o mau ambiente
destrói a cumplicidade
e a rotura é eminente

No amor ainda é pior
chega a ser devastadora
provoca o dissabor
e não tarda alguém chora

É preciso inventar
criar a todo o momento
não ter medo e agitar
os dias de desalento

O sorriso e simpatia
são por demais importantes
está provado que'alegria
contagia os semelhantes






domingo, 9 de dezembro de 2007

Sei que não sei


Sonho e exponho
aquilo que sinto.
Retrato e componho,
ponho e contraponho
sempre por instinto

Sou e não sou, mas estou
p'ró que der e vier.
Tudo se transformou
separou e criou
e vai florescer.

Sei que não sei, mas é rei
quem crê na sua vontade.
Jamais trairei
mas boicotarei
quem iluda a verdade.

A rota... é como a bolota
quem a quer tem que trepar.
Cada um tem sua quota
o que realmente importa
é conseguir lá chegar.

O poliglota a pé ou de mota
crê que atinge a meta.
O futuro não se esgota.
jamais haverá derrota
escrita pela mão do poeta.

Sigo contigo ou comigo
e assim cumpro o meu destino.
P'ra me libertar do perigo
vai sempre haver um amigo,
amigo... ou anjo divino.






sábado, 8 de dezembro de 2007

Ei Brotas!


Ei, Brotas!
não sei se notas
que o teu irmão
é campeão
a gostar de ti.
Sempre deflecti
p'ra te querer bem
Não há ninguém
que te olhe como eu
e nunca esqueceu
quando eras menino.
Pequeno bambino
contigo ao colo
tu eras o polo
das atenções.
As recordações
boas que retenho
guardo com empenho.
Infância bonita
não havia guita
mas lá nos safamos
e o que ansiamos
fomos conseguindo
cantando e rindo.
Eras ás na bola
com a camisola
do Vilanovense
ainda mal se pense
é clube da terra
que não está na berra
mas é muito nosso
por isso um colosso.
Eu sou teu amigo
tou sempre contigo
Pega este abraço
e nota que o laço
que une os dois
é agora e depois
para lá da sorte
cada vez mais forte.






sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Dona Felicidade

Dona Felicidade
diga-me ao ouvido
algo que me agrade
que eu ando perdido

O que é que preciso
para ser feliz
ando indeciso
e de mau cariz

A vida está má
ninguém se entende
vive-se o oxalá
ninguém nos defende

Dona Felicidade
dê lá uma ideia
em boa verdade
a coisa está feia

Uns donos de tudo
e outros sem nada
uns vestem veludo
outros roupa usada

Os donos de tudo
querem mais e mais
roubam os sem nada
calam seus ideais

Dona Felicidade
dê uma ajudinha
a precariedade
que viva sozinha






quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Nem cá nem lá


Repousei os olhos no horizonte
Respirei fundo e pensei
Neste filme não há nada que me aponte
Algo mais que a tua lei

Assim não dá
Nem cá nem lá
Há outros filmes
Outras cenas p’ra viver

Já passei pró outro lado
Inventei outras canções
Descobri que o fado
Tem de ser cantado
Com as minhas emoções

Cansei de tanto abandono
vou partir e navegar
querias ser meu dono
Foste só o outono
Duma tela por pintar

Dei-te tudo quanto havia a dar
Não fui dada nem achada
Fui braseiro dum inverno que a durar
Não daria nunca em nada

Assim não dá
Nem cá nem lá
Há outros filmes
Outras cenas p’ra viver

Já passei pró outro lado
Inventei outras canções
Descobri que o fado
Tem de ser cantado
Com as minhas emoções

Cansei de tanto abandono
vou partir e navegar
querias ser meu dono
Foste só o outono
Duma tela por pintar
Por pintar...





Um gesto teu


Penso em ti...
nos teus olhos verde-mar.
Rosa malmequer,
algodão mulher,
campo a semear
por desbravar

Penso em ti...
brisa num mar de ilusão.
Verde espiga, amor.
Jardim multicor
Fado solidão,
minha oração

Estou só
e este amor aqui tão perto
Atravesso o deserto
- desencanto -

És a dor
de não te ter e o meu prazer,
é ver de longe a cor
do teu sorriso que eu preciso
p’ra poder viver
Acorda por favor

Estou aqui
Quero-te tanto, o teu encanto
faz-me deslumbrar
Um gesto teu e acaba o breu
desta loucura que perfura
um coração que anda louco,
por te amar.





Sol poente


Criei raízes no teu espaço
Bebi na fonte da paixão
Povoei teus sonhos num abraço
Juntei os dois num laço
Escutei o coração

Fiz a cantiga num tom quente
Gritei teu nome sem cessar
E as estrelas sorriram de contente
Brilharam e de repente
A lua quis brindar

Voei no trenó desta nascente
E acordei
Na paz do continente
Que inventei


És vaivém incandescente
Com rumo ao sol poente
Rosa marfim
Tens um sabor a romã
Cheirinho a hortelã
Vestida de cetim

Povoei teus sonhos
num abraço
Juntei os dois num laço
Escutei o coração

Fiz a cantiga num tom quente
Gritei teu nome sem cessar
E as estrelas sorriram de contente
Brilharam e de repente
A lua quis brindar

Voei no trenó desta nascente
E acordei
Na paz do continente
que inventei

És vaivém incandescente
Com rumo ao sol poente
Rosa marfim
Tens um cheirinho a limão e hortelã
Pomba paz, meu pijama de lã
Ter-te é ser o Rei do sistema solar
Malmequer, amor perfeito a despontar
Viver em ti é ter o sol da manhã






Nota a nota


Há um tempo que foi e deixou
Rosas brancas a pairar no ar
Melodia que o amor inventou
Karma que nos fez sonhar.

Foi, a loucura de pintar
uma tela de água e mel
Delicada como essa cintura
Talhada a cinzel

Nota a nota
Qual gaivota
Descobrimos um céu de paixão
Gota a gota
Sem dar conta
Inventamos a nossa canção

Repousei no teu regaço
D’algas, iodo e muito mar
E o cansaço
Perdeu-se no espaço
Da luz desse olhar

Nota a nota
Qual gaivota
Descobrimos o céu da paixão
Gota a gota
Sem dar conta
Inventamos a nossa canção

Repousei no teu regaço
D’algas, iodo e muito mar
E o cansaço
Perdeu-se no espaço
Da luz desse olhar
que me fez navegar
rumo á estrela polar
e sonhar, por te amar

Repousei no teu regaço
D’algas, iodo e muito mar
E o cansaço
Perdeu-se no espaço
Da luz desse olhar
que me fez navegar

Nota a nota
Qual gaivota
Descobrimos o céu da paixão
Gota a gota
Sem dar conta
Inventamos a nossa canção

Repousei no teu regaço
D’algas, iodo e muito mar
E o cansaço
Perdeu-se no espaço
Da luz desse olhar





Brindar à vida


Hoje é dia de soltar amarras
De brindar co’a vida e palmilhar
estradas
p’ra qualquer lugar

Hoje é dia de quebrar barreiras
E nas asas do sonho passar
fronteiras
feitas de luar

A cidade já está a fervilhar
E o cortejo não vai demorar
Há sorrisos e canções
No ar

Vem, que a vida tece
O rumo p’ra tomar
tudo acontece
É tempo de agarrar
O futuro a chegar
Com amor e paixão
Olha à tua volta
Pensa com o coração
cavalo à solta
Vem cantar o refrão
Desta nossa canção
Vem comigo viver.





Passo a passo


Invento a cada instante
a força que perdi
O passo a passo errante
que se dirige a ti

E o vento, meu amigo
No seu louco movimento
trás as novas que eu mendigo
e refreia o mau lamento

No gesto inseguro
Penumbra do meu ser
Retomo o quarto escuro
recrio o mau viver

E as mãos que te afagaram
procuram sem cessar
o corpo que abraçaram
e o perfume que há p'ra dar

As malhas por ti tecidas
são trapos gastos de tudo
a curva da despedida
acaba num grito mudo
E o barco que anda à deriva
mas vai encontrar o norte
não tem peso nem medida
foi largado à sua sorte





Saber a ti


Quis morar em ti
Provar teu corpo mel
Dar-te o sol que eu senti
Numa flor de papel

Inventar o amor
Ir p’ra além do que não tem fim
Mas em troca veio a dor
De ver no chão esta paixão
Que existe em mim
E foi o fim


Adeus amor
Não faz sentido andar
Com os sonhos pelo chão
E o desespero mão na mão

Adeus amor
É tempo de partir
Vou guiar-me pelo vento
Descobrir um novo alento

Quis saber a ti
Cantar lindas canções
Que pensei e escrevi
A contar emoções

Embalei a dor
Calei fundo este fardo atroz
Vi morrer por entre os dedos
A ternura e os segredos
Que guardei
De muda voz

Adeus amor
Vou p’ra não mais voltar
Vou despir esta tristeza
Desfrutar outra certeza
Adeus amor
Vou-me encontrar co’a paz
Vou viver num outro lado
Apagar todo este fado

Vou viver.....





quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

As crianças


O sorrir de uma criança
o brilho do seu olhar
a traquinice e pujança
e vontade de brincar

Toda aquela inocência
e alegria qu'irradiam
provocam em mim a carência
dos mimos que me faziam

Como é bom vê-las crescer
felizes no seu traquinar
co'a vontade de aprender
para mais tarde ensinar

Sempre à espera dum carinho
numa partilha constante
basta apenas um beijinho
para que fique delirante

Nasceram para ser felizes
falta dar-lhes condições
p'ra que os agora petizes
inventem novas gerações

Oh, como acredito nelas
p'ra criarem um País novo
p'ra abrirem novas janelas
à mentalidade do povo.





terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Navegar é preciso


Sentei-me ao piano,
lembrei dum Baiano,
Caetano Veloso.
E um tanto brioso
pus a minha alma
numa canção calma
que ele um dia fez.
Ás duas por três
dei por mim sem pauta
a cantar o "argonauta".
Um tema encantado
autêntico fado
que diz no refrão
com toda a razão
- Navegar é preciso,
viver não é preciso...




Parto sem dor


Parto sem dor nem pavor
do destino a abraçar.
Não temo a planicie,
o vento há-de levar-me
ao tempo que a minha sina
um dia fará chegar.
As estrelas vão guiar-me
e ajudar a driblar
o mastodonte feroz
que me queira abocanhar.
Velarão por mim à noite
e farão com que os meus sonhos
não perturbem o descanso,
antes me façam voar.
Mesmo o sol abrasador
vai por certo condescender
e juntamente co'a brisa
vinda do lado do mar
improvisará uma sombra
p'ra que consiga chegar.
Se padecer de cansaço
ou doença que me aflija
terei Deus pelo meu lado
ou algum seu enviado
p'ra me ajudar a vencer.

Parto sem dor nem pavor
do que irá acontecer...





Ribeira do Porto


Ribeira do Porto, pintura
que todo o mundo venera
postal ilustrado, brochura
que nos aviva a quimera

O fascínio que te envolve
desperta em nós fantasia,
maravilha que devolve
paz, amor e sinergia

A beleza tem limites...
Desta forma assim permites
a inveja a quem não tem

No seu país ou cidade
tamanha dignidade
e que receba tão bem.




segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

O lobo do mar


Com passada certa
e ar decidido
deixava as pegadas
na areia da praia.
Cabelo grisalho
a barba comprida.
O rosto enrugado
cigarro na mão.
Botas de borracha
quase até à anca
samarra bem grossa
capucho caído.
Ao passar por mim
fez um leve aceno
e lá prosseguiu
com o passo marcado
talvez para casa.
Ele vinha do mar...
Será que a faina
desta vez foi boa?
Fico a imaginá-lo
no meio das vagas
o lobo do mar
atento a lutar
com todas as forças.
E a água salgada
a bater-lhe na fronte.
- Ninguém larga a rede!
Agarrem com força,
com um pouco de sorte
haverá boa safra.
Já quase só vejo
a sua silhueta...
Quem dera tivesse
parado a contar
as mil e uma histórias
passadas no mar.
Talvez nunca mais
me volte a cruzar
com o lobo do mar,
mas se acontecer
não vou resistir,
meto-me à conversa
e com humildade
peço que me conte
alguns episódios,
dos muitos que tem,
passados no mar.




domingo, 2 de dezembro de 2007

Xadrez


Peão, Zé ninguém, fanfarrão
Pé rapado displicente
perito a armar confusão
estaca se lhe fazem frente.

O bispo tenta converter
com todos os argumentos
na diagonal a benzer
vai anotando os proventos

O cavalo monta e desmonta
cenários de perigo iminente
O seu Éle é uma afronta
implacável, contundente

A Torre na sua vigia
horizontal, vertical
vai fazendo a analogia
da táctica adicional

A Rainha é poderosa
tem feitio complicado
veste a pele de raposa
e o caldo está entornado

Já o Rei é um paz d'alma
no seu trono ateatrado
sabiamente leva à palma
quem lhe ataca o reinado.

O xadrez só é prisão
para quem for marginal
é um jogo de eleição
e estratégia colossal.





sábado, 1 de dezembro de 2007

Lua


A lua... bela donzela
que tanto me inspira
e esclarece os pensamentos,
envolta num manto de prata,
destila o suave perfume
de alfazema e tomilho
envia raios de energia
que me atingem suavemente
p'ra que sinta
a brisa refrescante
do silencio
e goze o prazer
da calma e paz
que tanto prezo
partiu sem se despedir de mim.
Foi desaparecendo aos poucos
atrás duma qualquer
nuvem passageira
e deixou-me com as estrelas
Queria agradecer-lhe
pelas noites
que passamos juntos
pelas madrugadas
relaxantes
a curtir uma balada
escrever um poema ou canção
que canta simplesmente
o sonho de quem ama
e sabe ser amado.

Não tarda muito
o sol desponta
a noite dá lugar ao dia
e é preciso descansar.
Amanhã
quando nos encontrarmos
novamente
vou agradecer-lhe
antes que desapareça.





sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Galo de Barcelos


Diz a lenda que em Barcelos
o povo andava alarmado
todos tinham pesadelos
pelo crime inusitado

Ninguém fazia ideia
de quem cometera tal acto
queriam mandar p'rá cadeia
o canalha d' imediato

Encontraram um suspeito
um Galego calmeirão
por isso meu dito meu feito
levaram-no para a prisão

Jurou que estava inocente
que se tinham enganado
o Juiz indiferente
mandou que fosse enforcado

Antes de ser castigado
pediu para o deixarem ir
a casa do magistrado
que se queria despedir

O Juiz apesar da surpresa
aceitou o seu pedido
recebeu-o mesmo à mesa
- Que queria o atrevido?

O Galego algemado
provando nada temer
apontou p'ró galo assado
que o juiz ia comer

Com o olhar fixo e frio
sem sequer pestanejar
lançou-lhe o desafio
que agora passo a citar:

- É tão certo eu estar
inocente e abusado,
como é certo o cantar
desse galo aí assado.

O Juiz logo ordenou
que fosse dali retirado
levado p'ra donde chegou
e de imediato enforcado

O homem lá foi conduzido
p'ra pagar pelo seu crime
no cadafalso perdido
sem nada que o anime

Foi então que aconteceu
o que o homem premeditou,
o galo assado se ergueu
e por três vezes cantou.

O Juiz foi a correr
impedir o enforcamento
e o homem que ia morrer
foi dado como isento

O povo fez algo bizarro
fez dos galos um estandarte
moldou-os em louça de barro
pintou-os com muita arte

Ora a lenda aqui está
do tal galito pintado
verdade ou mentira, sei lá
por mim já contei, está contado.





Cores, muitas cores.

Cores, cores, muitas cores
perfumadas com amor
cores com muitos sabores
carregadas de esplendor

Cores quentes, cores frias
cores com brilho e encanto
cores que iluminam os dias
e dão energia ao meu canto

Vermelho, laranja, amarelo
verde, azul e violeta
todas elas são apelo
à minha veia poeta

Elas pintam os meus dias
sejam claros ou escuros
avivam tanto as alegrias
como os momentos de apuro

Um arco-íris, magia
pinta o mundo a meu gosto
faz-me sonhar noite e dia
co'a beleza do teu rosto

Quero a cor do teu sorriso
misturada co'a dos olhos
são as cores que mais preciso
p'ra alimentar meus estolhos.





quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Realmente


Realmente é como dizes
somos os dois como um só.
Somos bife e batata frita
vinho do Porto e queijo
somos cerveja e tremoços
batata com bacalhau.

Realmente é como dizes
p'ra quê andar de trenó
no gelo da serra desdita
se com apenas um beijo
e um abraço dos nossos
resolveremos o tau.

Chega-te a mim ó cachopa
eu cá estou de vento em popa
quero te acariciar
Não é bom estarmos zangados
com os sonhos adiados
p'ráqui a choramingar.




quarta-feira, 28 de novembro de 2007

A juventude


Vives co'a força dos sonhos
de objectivos risonhos
não há ninguém que detenha
a alegria de viver
a vontade de vencer
nunca te esqueces da senha

A juventude é um tesouro
mas não é tão duradouro
que não se esgote um dia
É bom mostrares confiante
que a vida é fascinante
uma autentica comédia

Um dia, lá mais para a frente
sentirás asperamente
como tudo se alterou
De nada vale encobrir
a lágrima que deixares cair.
Foi a saudade que aportou.



terça-feira, 27 de novembro de 2007

Voa coração, voa


Voa coração, voa
por esse céu infinito
vê se vês uma alma boa
que me alimente o espírito

Se a vires diz-lhe que estou
nesta terra por engano
este planeta ficou
impróprio e desumano

Fala também co'as estrelas
diz-lhes do meu desencanto
pode ser que alguma delas
entenda este meu pranto

Co'as nuvens é tempo perdido
trazem cargas negativas
não vão entender o gemido
são bastante intempestivas

Voa coração, voa
Por Deus, não voltes sozinho
trás uma noticia boa
que me elucide o caminho.




domingo, 25 de novembro de 2007

Jingle Bells à Portuguesa

É natal é natal
por cá tudo mal
tanta gente
descontente
com este animal

Da saúde ao emprego
dá cabo de tudo
ele é cego
é labrego
um grande cascudo

Este País já está
na cauda da Europa
nem p'ra comida há
já não ganhamos p'rá sopa

Sobem impostos à malta
são tantos os disparates
cobram tanto que só falta
penhorar-nos os tomates.






Cheiro a Natal


Já sinto o cheiro a Natal!
"Começou a palhaçada"
Sempre o mesmo ritual
mais parece um carnaval
tanta gente mascarada.

Há muita prenda a comprar
umas úteis outras não
o que é preciso é mostrar
que vivem todos num mar
de abastança e exaltação.

Afinal é só um dia
um dia passa-se bem
no resto do ano a astenia
fá-los andar com azia
não se lembram de ninguém

Natal é a toda a hora
em todos os dias do ano.
É parar quando alguém chora
ajudar quem anda à nora
seja fulano ou beltrano

Que haja muitas lembranças
agora e a todo o momento
para todas as crianças
neste mundo de mudanças
e de tanto alheamento

Prendas sim mas com amor
só assim é mais valia
Natal é sempre se for
dar um carinho, uma flor
sem lugar a hipocrisia.



sábado, 24 de novembro de 2007

Dias cinzentos


Os dias cinzentos
passam lentos
a passo caracoidal
São tristes sem cor
e até o odor
é de todo anormal

O sol faz-me falta
e logo me assalta
a melancolia
Fico atrofiado
nervoso, cansado
com grande apatia

Preciso de luz
da luz que conduz
à alegria e bem estar
Preciso da rosa
e da mariposa
a borboletear

Sem cor tudo é triste
o mau humor persiste
não dá p'ra sonhar
Se preciso for
peço a Deus Nosso Senhor
que faça o sol voltar




sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Dona Gina

Dona Gina
é gente fina
boa menina
e boa irmã

Tem tudo a ver
com o meu modo de ser
bem posso dizer
que é meu talismã

Virada p'rás artes
adora os contrastes
prima nos remates
da sua pintura

Adora o sossego
do seu aconchego
alimenta o ego
na sua candura

Sou cá um sortudo
por ter sobretudo
uma alma veludo
que gosta de mim

É que a minha mana
é porreira, bacana
é muito humana
gosto dela assim.



Lágrimas


As lágrimas qu'em vão enxugo
são gotas de sangue vivo
de tanta dor concentrada
da vida, que à bastonada
vivi, de modo destrutivo
por quem nos impõe o jugo

Meu choro assim sufocado
é blue com alma de preto
trinado sentido à guitarra
deste velho que se agarra
ás palavras de um soneto
escrito por estar agastado

Meu grito, raiva acumulada
é força saída do peito
p'ra aliviar a tensão
deste pobre coração
que apenas tem o defeito
de exigir o fim desta canalhada.



quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Retrato

Naquele retrato
já amarelecido
tens um quê de inacto
tens algo escondido

Cabelo ondulado
nos ombros caído
sorriso encantado
num rosto luzido

Um olhar sereno
dum brilho ofuscante
tão pouco terreno
um divino brilhante

Colar branco ao peito
sobe a blusa preta
que exibe a preceito
uma flor discreta

Foste sempre muita linda
minha companheira amiga
nada faz com que prescinda
desta relação antiga.





A porta

Há uma porta
a dividir
dois mundos
em tudo distintos.

Deste lado
tenho a paz,
a calma
que tanto prezo,
os meus livros,
discos, filmes,
tintas e pinceis.
A guitarra
e o conforto
do meu canto
especial,
onde navego
por mares
que a imaginação
me dita.
Sou eu,
sózinho
comigo próprio,
eu... e os meus sonhos.

Do outro lado
da porta
existe um mundo
a correr,
gente que não tem
nada a ver.
Cultivam
a hipocrisia,
atropelam-se
uns aos outros,
vivem
da aparência,
lutam
por chegar
à frente,
querem sempre
mais e mais,
vendem
a alma ao diabo.

Por isso
sempre que posso
prefiro estar
deste lado.





quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Se houver lugar...

Se houver
lugar a paixão,
que aconteça
numa cachoeira
rendilhada
de espuma
com cristais
a cintilar
e as asas
do sonho
sobrevoem
o inesperado
com a vontade
febril
da última
oportunidade.

Se houver
lugar à loucura,
que seja doce
multicolor
ao som
dum oboé
com o sol
por companhia
e nasça
o mais lindo
poema
que exalte
o amor
com garra
e sapiência.

Se houver
lugar a engano,
que seja
aceite
sem trauma.
As certezas
não existem.
A mágoa
é passageira.
A dor só dura
algum tempo.
A bonança
encarrega-se
de pôr as coisas
em ordem.




terça-feira, 20 de novembro de 2007

Esta vida são dois dias


Tudo é efémere e vão,
passageiro e sem valor.
P'ra quê tanta ebulição
ganância, humilhação
crueldade e dissabor?

Tudo nos é emprestado
deixamos tudo por cá
parece que do outro lado
tudo o que for enviado
não é aceite por lá

Vivamos o tempo que resta
com amor e numa festa
brindemos às alegrias

Agradeçamos a sorte
ás tantas chega o passaporte,
...esta vida são dois dias.





Ao amigo Barbieri


Olá, meu bom Amigo,
como vai tudo contigo?
É tanta a saudade que sinto,
ainda mais porque pressinto,
que p'ra além de tanto mar
não vou a tempo de te abraçar.

A vida corre depressa
o passado não regressa
Nuns dias tudo vai bem
outros ficam muito aquém
A saúde já escasseia,
são medalhas da epopeia
que vamos coleccionando,
mesmo assim lá vou andando.

Estou faminto de noticias
de ler as tuas poesias.
Continuas a escrever?
Queira Deus que eu possa ter
a benção da tua visita
e nessa hora bendita
dar-te um grande, grande abraço.
Podes crer que o nosso laço
é bem forte e nesta andança
trago-te sempre na lembrança.

Um bem haja meu Amigo!




domingo, 18 de novembro de 2007

Resignação

Tudo à volta desabou
destruiu o meu espaço
o futuro desmoronou
o sonho rodopiou
e fugiu do meu regaço

Perdido, à deriva
neste mar encapelado
grito na tentativa
que alguma força activa
me livre deste machado

Onde está o chilrear
alegre dos passarinhos?
que nos viam a passar
de mão dada a trocar
caricias e muitos beijinhos

Até o sol se escondeu
p'ra não me ver a sofrer
e a lua que nos protegeu
ao ver o que aconteceu
decidiu desaparecer

Assim triste e magoado
cansado e abatido
desisto resignado
Sem ti aqui a meu lado
a vida não faz sentido.





quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Já é sadismo


Palavras, palavras
e mais palavras
argumentos
sem sentimentos
de gente sem coração
do tipo camaleão
Gente que não tem alma
que engana e leva à palma
o povo que vai sofrendo
horrores, e lá vai enchendo
os bolsos das ratazanas
que fazem de nós bananas.

A nossa vontade tem força
e mesmo que torça
não vai partir, não
que a fé e a razão
é tal e qual um escudo
e eu acho que expludo
se deixar de escrever
o que tenho a dizer
aquilo que trago cá dentro
dentro do meu epicentro.

Abaixo a contenção
Abaixo a corrupção
Abaixo o autoritarismo
Abaixo o clientelismo
Abaixo o oportunismo
...que isto já é sadismo.





quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Não sou poeta


Não sou poeta, sou alma
que dá voz ao sentimento
Vivo em paz, com muita calma
a alegria e o sofrimento

Sou doutorado pela vida
tenho sede de aprender
não quero a vida despida
de amor, carinho e prazer

Sou sensivel ao olhar
que os olhos sabem falar
do fundo do coração

Dou-me todo com ternura
e no meio da candura
não escondo a paixão.





terça-feira, 13 de novembro de 2007

O meu silêncio


Sentado
à mesa dum barzinho
um cigarro
na mão esquerda
leio
as gordas do jornal
saboreio
um cafézinho
penso
nesta vidinha de merda
como é que
há tanta besta? é bestial.

Uma moça engraçadita
no balcão
toma um sumo
e olha-me fixamente
lança um sorriso,
cumprimenta-me com a mão
retribuo
o cumprimento gentilmente

Não faço a menor ideia
quem será
não quero conversa,
hoje é um mau dia
preciso estar só,
jamais haverá
quem se sinta bem
na minha companhia

De momento
quero apenas estar comigo
não conto a ninguém
o que estou a sentir
dava jeito era mesmo
estar contigo
o meu silêncio
só tu o sabes ouvir.





segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Inconstância


Estou aqui
mas é ali
que no fundo
quero estar
Estou ali
mas é aqui
que penso
devia estar

Se não tenho
quero ter
corro atrás
sem desistir
Se consigo
já não preciso
farto-me logo
de o ter

Quando faço
penso logo
que não o devia fazer
Se não faço
ando triste
porque o queria
ter feito

Até mesmo
este texto
agora que o escrevi
fico com a impressão
que não o devia
ter escrito.




domingo, 11 de novembro de 2007

Ah! Memória...


Ah! memória
que não me largas
Pára de avivar
a lembrança
das amargas recordações
que penetram como facas
e me fazem voltar
ao passado.

São laminas afiadas,
lágrimas
embaladas pelo rosto
por entre o olhar perdido
na imensidão do céu
A dor forte demais
vai trinchando
este meu corpo
já de si quase acabado

Ah!... Tanto queria
que me abandonasses
de vez
para viver as paixões
ilusões que o vento trás
percorrer as avenidas
sem a dor que se instalou
neste peito tão sofrido
e deixar de vez
esta triste solidão.





sábado, 10 de novembro de 2007

Não quero


Não quero
que me mintam
quando pintam
o retrato
caricato
do que não sei,
senão serei
como os que imitam
que tanto me irritam,
e trairei
o que ansiei
e inventei.


Não quero
que me lambusem,
mas não abusem
da minha bondade.
Na verdade
sou o que sou
e não vou
por caminhos
de cordelinhos.
Sou transparente
e só estou ausente
para o displicente.


Não quero
que se escondam
e só me respondam
o politicamente correcto.
Não está certo!
A verdade
ganha sempre à falsidade
é como o azeite
mesmo que alguém se aproveite
vem à tona
e o mandante da intentona
vai inevitavelmente à lona.





Sete quadras soltas


Meu amor, minha Princesa
flor que cuido com prazer
és dona de tanta beleza
que enlouqueço de te ver

Escusam de me agredir
Podem correr e saltar
que nada vai impedir
a vontade de te amar

Quando olho o teu retrato
vejo um mundo multicor
agradeço a Deus pelo facto
de te ter conhecido, amor.

Sou assim, não adianta
não me vou modificar
a minha vontade é tanta
que nada a consegue travar

Quando sinto o teu peito
apertado contra o meu
vejo o quanto é perfeito
o amor que em nós nasceu.

O beijo que te roubei
foi de tal intensidade
foi tão bom que até fiquei
zonzo de felicidade

Anda cá, senta ao meu colo
quero fazer-te um carinho
se não ainda fico tolo
de desejo dum beijinho





quinta-feira, 8 de novembro de 2007

O meu canto


Canto p'ra mim e p'ra ti
canto p'ra quem nunca vi
canto p'ra todos e canto
p'ra quem gosta de sentir
ouvir e não confundir
encanto com desencanto

Canto sobre o nosso tempo
quase sempre em contratempo
que é preciso decantar
canto tanto p'ra miudos
como para os mais graudos
canto p'ra quem se acercar

Canto ao céu, canto à lua
canto à mulher da rua
canto à terra e canto ao mar
canto ao calor e ao frio
canto e a todos sorrio
se estiverem a gostar

Só não canto p'ra rafeiros
mandriões e azeiteiros
que não querem trabalhar
não merecem que lhes cante
a esses passo adiante
prefiro deixar de cantar.





quarta-feira, 7 de novembro de 2007

O livro


Estás tristonho velho amigo
parece que estás de castigo
ninguém lê os teus escritos
Já lá vão uns bons anitos
que estás para aí encostado
esquecido, abandonado
o pó e a tez amarelada
dão ideia da biqueirada
a que foste sujeito
Não há direito!

Ninguém quer saber das naus
de tantos piratas maus
de tesouros e amores
dos terriveis saqueadores
nem de principes encantados
das bruxas e maus-olhados
dos poemas de amor
do poeta sofredor

As novas tecnologias
mesmo com as mialgias
que provocam tanta dor
fizeram do computador
no momento actual
o teu mais feroz rival.





À minha amiga Silvia


Que boa amiga eu tenho
amiga do coração
amizade que detenho
construo com todo o empenho
e que não largo da mão.

É uma pessoa sensivel
que tem muito para dar
tem uma força incrivel
está sempre disponível
gosta de me apaparicar

Desportista dedicada
adora tocar guitarra
canta co'a voz afinada
é uma boa camarada
e gosta duma boa farra

Em qualquer tipo de perigo
e nas horas de aflição
tem aqui um ombro amigo
o seu porto de abrigo
sabe que estou sempre à mão.

Jamais poderei esquecer
a prenda que ela me deu
quando fiz cinquenta anos
foi dicil de conter
tanta emoção que doeu
e me fez navegar oceanos.

Como é bom ter uma amiga
com quem se pode contar
dedicada e que nos diga
sem rodeios à moda antiga
o que a alma lhe ditar



segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Ao meu querido Pai

Pai!
Tenho saudades,
muitas saudades de ti
Nem imaginas
a falta que me fazes!...

Queria dar-te um abraço
partilhar contigo o espaço
beber um copo contigo
Falar dos nossos projectos
veres os filhos e os netos
devias estar aqui comigo

Sinto muito a tua falta
o meu coração exalta
o amor que me mereces
Trago-te comigo no peito
e à noite quando me deito
estás também nas minhas preces

Foste um homem de trabalho
nunca foste ao soalho
foste sempre um vencedor
tinhas fé e alcançavas
tudo aquilo que sonhavas
foste um conquistador.

Sinto falta das histórias
das maroteiras e glórias
que muitas vezes contavas
das viagens que fizemos
das discussões que tivemos
e das broncas que me davas

Foi duro ver-te partir
e mais duro, foi assistir
a todo aquele sofrimento
sem nada poder fazer
sem hipótese de te valer
só eu, tu e o sentimento

Quero que saibas meu pai
que o amor por ti não se esvai
jamais serás esquecido
A mãezinha está bem
e os meus irmãos também
Um beijo muito sentido!.




O meu jogo


No meu jogo
aconteceram
vitórias, empates
e derrotas

Já festejei
já chorei
sofri faltas
e castigos
raramente
fui beneficiado
muitas vezes
penalizado

Sofri cantos
e penaltys
livres
e foras de jogo
assobios
e aplausos
prolongamentos
decisões
por penalidades.

O meu jogo
já vai na segunda parte
quando acabar
se saberá
o resultado.




domingo, 4 de novembro de 2007

Desilusão


Impávido e sereno
Como um fardo de feno
Completamente abstracto
Inerte, distante, calado
A vida a passar-lhe ao lado
Olhos fixos num retrato

O cabelo desgrenhado
Na boca um cigarro apagado
Cotovelos nos joelhos
Ao lado uma garrafa de vinho
Um cobertor gasto, de linho
E um monte de jornais velhos

Uma velha bem disposta
Abeira-se e dá-lhe uma posta
De bacalhau frito num pão
Ele gesticulou a agradecer
E começou logo a comer
A sandes com sofreguidão

Interpelei a senhora
Antes que se fosse embora
Perguntei-lhe: Quem era afinal?
Tão triste personagem
A olhar fixo uma imagem
Naquele desapego total

Respondeu que ele lhe contara
Da única vez que falara
Que a sua grande paixão
Um dia desapareceu
E ele nesse dia morreu
Por tão grande desilusão

O amor é mesmo assim
Um maravilhoso jardim
Quando tudo corre bem
Quando a coisa dá p’ró torto
Acaba sempre em mau porto
É duro e não poupa ninguém.




sábado, 3 de novembro de 2007

O poeta


O poeta
é um careta
fingidor
e até pateta
desembrulha
a ideia
seja bonita
ou feia
vale-se
da emoção
e fala-nos
ao coração

Chora
p'ra nos ver chorar
Sorri
para nos alegrar
Mente
p'ra nos ver felizes
Abre as nossas
cicatrizes
finge
que somos nós
impinge-nos
a sua voz

O poeta
é mau carácter
sempre pronto
a abater
todos quantos
são sensiveis
adora
queimar os fusiveis
das almas debilitadas
atira-nos
com o morfema
e assim
debita o poema

O poeta
é um palhaço
trás sempre
debaixo do braço
um tempo
p'ra reflectir
um verso
a destruir
a utopia
de alguém
e fá-lo
sem saber a quem

Abaixo
o poeta que escreve
coisas tristes
e não percebe
que estamos
pelos cabelos
com todos
os seus pesadelos
que queremos
amor e paz
senão
não satisfaz

Hoje estou mal humorado,
corro tudo à bastonada,
quem paga é o poeta, coitado
que não tem culpa de nada.




sexta-feira, 2 de novembro de 2007

O amor


O amor não manda recado,
acontece, não avisa ninguém,
quando é puro e elevado
aparece inopinado,
nada e ninguém o detém.

Surge como por magia,
aparece de repente,
com canticos de alegria,
real, sem demagogia
e a paixão é eminente.

Como água cristalina
mata a sede dum olhar,
dum sorriso e ilumina
a escuridão que germina,
faz viver e até sonhar.

O amor é tudo isto
e é tal a dimensão
que a razão é imprevisto,
tem tudo a ver com o registo
que manda o coração.

Quando vem cria raizes
nos que nele acreditaram.
Quando vai deixa infelizes,
com imensas cicatrizes,
todos quantos se entregaram.




Ralph Fiennes


Um tiro certeiro e cai o primeiro...
Era apenas uma judia,
gente menor e rufia...

Ralph Fiennes acordava
e da varanda acertava
num qualquer Judeu à sorte

Orgulhoso com o facto,
sorria pelo seu acto,
feliz com a sua morte

Tentava ajudar o mundo
a ficar menos imundo.
Os Judeus tinham peçonha

Era um povo sem vergonha
sem hipótese de futuro.
Alemão sim, era um povo puro!

E seguia a sua vida
sem qualquer tipo de ferida
co'a maior normalidade

Meu Deus como foi possivel,
gente assim tão insensível,
gente com tanta maldade?




quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Café com leite e torradas

Estou necessitado
dum carinho...

Não foi florido este dia
Esforcei-me
por manter-me calmo
Pisei em cima d'ovos
O frio não ajudou
Joguei cartas
com a tristeza
Distanciei-me
do burburinho
Tentei rimar
amargura com alegria
mas não deu
O que eu queria
era um abraço,
uma palavra,
um gesto,
um miminho.

Vou esquecer
estas maçadas
e quando chegar a casa
vingo-me
no café com leite
e nas torradas.





terça-feira, 30 de outubro de 2007

Haja pachorra



Não sei se é da idade
ou se na verdade
é falta de pachorra
p'ra aturar a porra
do palavreado da treta
de todo o careta
que à toa
se emproa
com vaidade
na criatividade
doentia
quando a analogia
não corresponde
e esconde
a irrealidade
e falta de sanidade.
mental
É fundamental
a bendizer
pôr-me a mexer.




domingo, 28 de outubro de 2007

Guitarra amiga


Guitarra
velha amiga
que eu adoro
Que chora
quando eu choro
e vibra
quando estou feliz

É o meu
refugio antigo
Com ela
não corro perigo
sempre me soube
ouvir

Guitarra
paixão antiga
Refúgio
que me abriga
nos momentos
de tristeza

A felicidade
que sinto
quando lhe toco
Faminto
de tão belas
emoções

Ninguém
como ela entende
e lê
o que me vai na alma
Sempre calma
paciente
guarda todos
os segredos
que lhe conto
com os dedos
nos acordes
que me oferece

Quantas vezes
no silencio
das noites
de inquietação
Chora comigo
as agruras
que trago
no coração

Aparou já
muitas lágrimas
Sentimentos
conturbados
Alguns sonhos
adiados
que a minh'alma
exaspéra

É a minha extensão
Traduz
toda a vibração
que trago
no coração.

Se um dia
eu não puder
tocar-lhe
e acariciá-la
A vida
não faz sentido
Estarei
concerteza perdido
Pois morreu
parte de mim.





sábado, 27 de outubro de 2007

Quando choras


Quando choras
tudo pára
Tudo fica
triste e mudo
Até a pobre guitarra
Perde a força
Perde a garra
E o sol fica beiçudo
As flores
Não lançam odores
A lua envergonhada
Esconde-se
Atrás da coutada
E chora também contigo
O próprio mar
se ressente
E perde todo o vigor
Manda flores
Com a corrente
E beijinhos com amor
Se chorar te alivia
Chora, chora à vontade
Mas depois vê se sorris
Porque em boa verdade
Só te queremos ver feliz




sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Oxalá


Ténue e frágil é a voz
que embora adocicada
está cansada e sem brilho
de tanto pó da estrada
de afazeres de andarilho

No meio da tempestade
A caminhada foi dura
e o acaso traiçoeiro
abrigou-me a noite escura
fui eu proprio o conselheiro

Mesmo co'a voz inconstante
bem diferente da doutrora
dedico-te este poema
perdoa-me pela demora
e desculpa o lexema

Trago-te a todo o instante
comigo no pensamento
penso em ti com tal carinho
que acredito no momento
de te encontrar no caminho

Mas se não acontecer
por ter de ser, oxalá
quando a missão for cumprida
e não te encontre por cá
que te encontre noutra vida.




quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A escolha

Podia ter sido um Principe
de um Reino num qualquer lugar
partir à descoberta
agir pela certa
e o reinado alargar

Dar nas vistas, ser notado
politicamente correcto
combater no local certo
e sem dó nem piedade
subjugar à minha vontade

É contra os meus principios
prefiro o meu cantinho
na concha que inventei
seguir somente o caminho
que quiz e conforme sei

Gozar as coisas que gosto
viver o que conseguir
aprender e inventar
criar, recriar, descobrir
ensinar, repartir e dar

Esta vida é um sopro
Tudo nos é emprestado
não valemos um tostão
viemos cumprir a missão
espero dar conta do recado.





A mosca

Ah coisinha chata
que anda aqui à volta
só p'ra me agastar
é mesmo pirata
provoca revolta
está-me a apoquentar

Isto é agressão
porque este zumbido
faz enlouquecer
se lhe deito a mão
nem o apelido
vai poder dizer

Ainda por cima
é porca, imunda
e não tem respeito
por quem se lastima
esta vagabunda
faz-me ficar sem jeito

Ah mosca maldita
não chateies mais
que a tua visita
lesa por demais
vai, mosca desdita
e não voltes mais.





quarta-feira, 24 de outubro de 2007

e acordei!


Voei no meu unicórnio
P’ra contemplar a cidade
Ver ruas e quarteirões
Absorver emoções
Sentir a cumplicidade

Ver gentes, o rio e o mar
E o burburinho normal
De tanta vida a pulsar
Que deixa ficar no ar
Uma canção minimal

Vi o Mosteiro da Serra
do Pilar a conversar
co’as Muralhas Fernandinas
com a ponte e as meninas
da Ribeira a escutar

E a Torre dos Clérigos
No seu grande pedestal
Vai vigiando o Infante
A Bolsa e mais adiante
O Palácio de Cristal

Depois a Ponte da Arrábida
Aí dei a volta e virei
Sem esquecer o Cabedelo
A Afurada e o Castelo
Quis ver mais mas acordei.





terça-feira, 23 de outubro de 2007

A cidade

Há muito cimento
E no pavimento
Tudo a circular
Falta o arvoredo
Aponta-se o dedo
Estão-se a marimbar

A população
Cheia de razão
Vive atribulada
E à sua volta
Há muita revolta
E não se passa nada

O cão coça a pulga
Esta enceta a fuga
P’ra se abrigar
O velho resmunga
Que o puto é xunga
E está a chatear

Tem a prostituta
Na esquina, astuta
Com sorriso maroto
Ao lado o Emplastro
Que pensa que é astro
Sorri para a foto

O metro lá chega
E alguém escorrega
Co’a pressa de entrar
Vem o arrumador
Que diz que é melhor
Pedir que roubar

O polícia autua
O carro na rua
Que está a estorvar
O Zé cauteleiro
Faz grande berreiro
No seu apregoar

O pimba peralta
Trás a música alta
Para ser notado
Um pouco mais à frente
Um montão de gente
Com ar complicado

O Quim espingardeiro
Passa o dia inteiro
Sem ter que fazer
Passa o atleta
Na sua bicicleta
A treinar p’ra correr

É esta a cidade
Que em boa verdade
Me vai acolhendo
Tudo atarefado
Nem olham pró lado
E lá vão vivendo.




segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Alucinação


Estarei eu a alucinar?
Quando vejo a mandar
No País que tanto adoro
Gente de tal indecoro
Que me faz envergonhar
E me obriga a perguntar


Estarei eu alucinado?
Acho que estou acordado
Belisquei-me e doeu
Mas porque é que Deus me deu
Desta forma tão má sorte
A ser assim quero a morte.


Deve ser alucinação!
Tanta gente sem ter pão
A banca sempre a crescer
Os mesmos a enriquecer
A saúde no soalho
Cada vez menos trabalho


Estou mesmo a alucinar!
O Estado a esbanjar
Os impostos a doer
O povo a endoidecer
Sempre os mesmos a pagar
-Tenho é que me tratar!.





Escrever uma canção


Escrever uma canção
é tirar do interior
do coração com amor
uma qualquer emoção

É descrever o momento
seja doce como mel
ou amargo como fel
com todo o sentimento

Se estou triste, um tom menor
ajuda a deitar p’ra fora
o quanto a minh’alma chora
até que me sinta melhor

Se estou feliz, um maior
põe tudo no seu lugar
faz com que possa cantar
alegre e com mais vigor

É como fazer um filho
com amor e muita garra
passo a ideia à guitarra
que apaixonado dedilho

Quando a gente deita a mão
àquilo que temos no peito
então o poema é perfeito
e daí nasce a canção.



Coragem


Aguenta com bravura
o tranco cada vez mais forte
que te põe a alma escura
e p'ró abismo te empurra
até que acabe a má sorte


Já que tens de assim sofrer
não esmoreças, que a fera,
um dia destes vais ver,
acaba por ter de ceder
cansada de ser tão vera


Então poderás recomeçar
e dar um grande abanão
naquilo que te fez parar
É só quereres lá chegar!
Terás o mundo na mão!




domingo, 21 de outubro de 2007

Quando partir


Quando partir
Vou-me a rir
Dos palhaços
Que encontrei
Dos cachaços
Que preguei
A alguns cagões
Desta vida

Quando partir
Vou-me a rir
Dos vivaços
Que evitei
Dos sorrisos
Que encenei
P’ra alguns cabrões
Nesta vida

Gente que faz
Que é capaz
Que diz ser
O que não é
e faz crer
ao bom do Zé
que os arpões
não fazem ferida

Vou contente
O suficiente
Por ter gozado
À brava
E mandado
sempre à fava
os parvalhões
desta vida





Segredo


O segredo é um rochedo
duro e intransponível
Mesmo forçado e com medo
tem que ser inatingível

O segredo é p’ra guardar
mesmo que leve a má sorte
Custe lá o que custar
vai connosco até à morte

Mesmo que haja ameaça
e se adivinhe desgraça
luto até me finar

O segredo é um penedo
Eu tenho cá dentro um segredo
mas nunca to vou contar.





sábado, 20 de outubro de 2007

O Rabelo


Oh, que belo é o rabelo
no rio Douro a flutuar.
que bom que é poder vê-lo
elegante e singelo
e a infância recordar

Noutros tempos navegava
da Régua até à ribeira
do Porto e Gaia e voltava
navegava e transportava
vinho em pipas de madeira.

Para além do vinho trazia
e levava sem cessar
com bom tempo ou invernia
montes de mercadoria
num rodopio invulgar

Era a lenha e o carvão
madeira, fruta e fava
batata, milho e feijão
tudo o que a população
cá do burgo precisava

Durante todo o encargo
a acompanhar a labuta
vinham a boga e o barbo,
a enguia, lampreia e o sargo
o sável a solha e a truta

Se o vento era de feição
içavam no mastro a vela
e aí a embarcação
ganhava outra emoção
e dava uma escapadela

Senão era o braço possante
a remar com energia
que levava por diante
o rabelo a montante
a terminar a porfia

O moço fazia a comida
num enorme panelão
grande, negro como a vida
e na hora da investida
lá faziam a refeição

A vida a bordo era dura
e as marés perturbantes
perigosa de insegura
o rio foi a sepultura
para muitos tripulantes

Hoje é p’ra turista ver
não há lágrima nem choro
pelo menos dá prazer
a quem quiser conhecer
este Rio Douro que adoro



sexta-feira, 19 de outubro de 2007

As mãos


Com as mãos eu faço tudo
estejam ásperas ou de veludo
Com as mãos eu faço tudo,
comunico até com o mudo.

Ameaço ou suplico,
incito e encorajo,
ralho ou apaparico,
agradeço ou reajo.

As mãos servem para pedir,
exigir ou recusar,
mas também p’ra aplaudir
o que for p’ra melhorar.

Servem p’ra marcar presença,
construir e trabalhar,
resolver a desavença,
perdoar e até beijar.

Servem para conceder,
absolver, acusar,
teimar e até esconder,
mexer, remexer, apalpar.

Servem para amparar
e proteger do engano,
punir ou abençoar
e repelir o tirano.

Servem para repartir,
fazer rir e consolar
servem p’ra destituir
e até mesmo para coçar.

Matam ou mandam matar,
destruir e arrasar,
até servem p’ra roubar
se o desatento deixar.

Servem p’ra tocar guitarra,
escrever o que a alma diz,
gesticular, fazer farra
e até assoar o nariz.

Servem p'ra enxugar a lágrima,
e pentear o cabelo,
remar pelo rio acima

ou passar a mão no pelo.

Com as mãos posso rezar,
realizar tudo no fundo,
só não consigo acabar
com a maldade no mundo.





quinta-feira, 18 de outubro de 2007

As meninas dos meus olhos


Moram nos meus olhos
as meninas, que se excitam
e fazem ficar zarolhos,
os olhos que fitam
o gingar da tua anca,
naquele passo aligeirado,
dentro da calça branca,
num autêntico bailado.

Endoidecem de te ver
e festejam de mão dada
quando te vêem descer
pelas pedras da calçada.

Depois guardam com cuidado
p'ra nunca mais esquecer,
na memória o gingado,
podes ir por outro lado
e não te puderem ver.



quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A minha janela


Aqui da minha janela
vejo o tempo a passar
vejo o sol, vejo a chuva
vejo a noite a chegar


Daqui vejo o nevoeiro
que não deixa enxergar
vejo a lua tão serena
que até me faz suspirar

Vejo o mendigo a pedir
o varredor a limpar
a criança a sorrir
o bêbado a cambalear

Vejo o velho que se arrasta
e a vaidosa a passar
a peixeira e os pregões
o drogado a roubar

Vejo pobreza encoberta
e muitas banalidades
o cidadão que disserta
acerca das desigualdades

O arrumador que chateia
o autocarro atrasado
o policia que vagueia
o guarda nocturno cansado

A fila de carros parada
e muita poluição no ar
a louca esgazeada
o manco que vai a mancar

Aqui da minha janela
vejo tudo a passar
aqui da minha janela
só não dá p’ra ver o mar.




terça-feira, 16 de outubro de 2007

Douro, meu tesouro!


Douro, pintura viva
de nuances geniais
a sua beleza cativa
o mais comum dos mortais.

Vem de Espanha a deslizar
com segredos no seu leito
e lá vai contar ao mar
que o escuta satisfeito.

Douro das pontes, baías,
poetas, pintores e jograis
que inspira fantasias
a tantos e tantos casais.

Douro de barcos e vinhas
pipas, armazéns e cais,
margens com muitas tasquinhas,
com petiscos divinais.

Os turistas vão aos molhos
descobrir o rio amigo
vão e saciam os olhos
maravilhados contigo.

Douro, ouro, és sagrado
ouro de fino recorte
mereces ser venerado
pelas gentes cá do Norte.



domingo, 14 de outubro de 2007

Quando a velhice chegar


Quando a velhice chegar
se o tempo não mo negar
vou terminar finalmente
projectos que são afinal
coisas d'alma em especial
de partilha consciente.

Pintar o quadro perfeito
arrancar o poema do peito
dedicá-lo a todos vós
Fazer a canção imortal
com notas do meu ideal
e cantá-la de viva voz.

Privar com aqueles a quem quero
sem pressas, ao som dum bolero
tocado num qualquer piano
e no conforto da família
zelar pela sua harmonia
valor por demais soberano

Quando a velhice chegar
estarei pronto para a aceitar...




sábado, 13 de outubro de 2007

O gato e o rato


O gato
é pacato
gaiato
e defacto
sem trato
no acto
é flato
a recato
formato
mascato

O rato
é chato
biscato
acrobato
ingrato
abstracto
inexacto
aparato
barato
que o gato
com palato
põe no prato
.....

Huf... que espalhafato
tou a precisar de bicarbonato.



sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Obra de Deus

Por entre a erva fresca e verdejante
e as gotas cristalinas da orvalhada
o cheiro forte a terra é um purgante
e ao ouvido mais parece uma balada

Ao fundo os campinos e um ribeiro
Em cima dum milheiro um canário
Na serra lentamente um caminheiro
Esforça-se a cumprir o calendário

O vento trás aromas misturados
que inspiram a vontade de viver
no meio dos campos acolchoados
de energia, liberdade e prazer

O céu que nos abriga com amor
No seu manto branco e estrelado
Completa o quadro de esplendor
Que me deixa inteiramente extasiado

Esta paz e harmonia, é bom de ver
Foi criada com paixão e tal vigor
que tanta beleza assim, só pode ser
Obra de DEUS NOSSO SENHOR.




quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Mãe, querida mãe.


Mãe,
és tão linda
minha mãe.

Tens um brilho especial
um sorrir celestial.
Cada vez que estou contigo
ouço atento e mendigo
os conselhos que me dás.

O teu carinho e ternura
assim como toda a doçura
que mostras quando me vês,
faz de ti uma Rainha,
a verdadeira estrelinha
que me guia e protege.

Foste sempre mãe verdade
ensinaste lealdade,
coragem e abnegação.
Esbanjaste amor a rodos
ensinaste-nos a todos
a tua forma de estar.

dedicaste a vida aos filhos
sem receio dos cadilhos,
és o nosso bastião.
Amo-te pelo que és,
ajoelho-me a teus pés
p'ra pedir a tua benção.



quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Faz-me um favor


Se encontrares o meu amor
faz-me um favor
diz-lhe que a minh'alma chora
por ela ter ido embora
sem sequer dizer adeus

Que as noites são um suplício
que sinto já o indício
de que vou endoidecer

diz-lhe que ando cansado
que me sinto um condenado
sem vontade de viver

que não entendo a razão
do porquê desta agressão
de tamanha machadada

Se ela disser que não vem
diz-lhe que ficou aquém
daquilo que eu esperava

Serei sombra empoeirada
perdido aí pela estrada
mas quero que seja feliz.




terça-feira, 9 de outubro de 2007

Ó mar....


Ó mar, imponente mar
mar profundo e infinito
estou aqui p'ra te escutar
tenho a alma em conflito

Venho ver o teu bailado
venho ouvir-te murmurar
sentir o cheiro encantado
da maresia no ar

Mergulhar e num estalo
sentir o prazer do embalo
das ondas a festejar

Embrulhar-me na espuma
e tal e qual uma pluma
deixar-me ir e sonhar




segunda-feira, 8 de outubro de 2007

POLÍTICA


A politica é uma merda
já dizia o Lacerda
com imensa sabedura

São todos porcos imundos
cambada de vagabundos
não sabem o que é lisura

Mentem descaradamente
vão pisando toda a gente
para atingir os seus fins

Levam vida flauteada
ninguém os vê fazer nada
vivem em grandes festins

E o povo coitadinho
vai levando no focinho
a toda a hora e instante

E na hora da verdade
lá vai mostrar lealdade
e votar no meliante

Abram os olhos caraças
façam ver a essas carraças
que são nossos funcionários

Digam a esses estafermos
que sabemos o que queremos
e deixem de ser otários




segunda-feira, 1 de outubro de 2007

O orador



O arrazoador
faz sempre o arreamento
na sua dissertação.
Dissemina a verborreia
persuade o embuste
e prossegue a odisseia.



quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Fredy


Era dócil
o bichinho
sempre à espera
dum carinho
sempre pronto
pra brincar

Dono dum lindo
focinho
arraçado de Alemão
pastor em segunda mão
fez-nos muita companhia.

Era doente
o coitado!
Passamos um mau bocado
com os ataques
que lhe davam

Eram tantos tantos tantos
que caía pelos cantos
dava dó de vê-lo assim

Tivemos que o abater
foi duro ter que o fazer
mas teve de ser assim

Agora resta a saudade
às vezes tenho vontade
de lhe fazer um miminho

Estejas lá onde estiveres
descansa em paz
amiguinho.



terça-feira, 25 de setembro de 2007

Quem me dera



Quem me dera
poder estar
junto ao mar
com a quimera
que alimento
e intento
doravante
qual gigante
ou mera fera
mudar o mundo
num segundo
vencer a dor
e fazer vingar
com fervor
o amor.




segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Feliz aniversário mãezinha


Hoje é um dia especial

Um dia de felicidade

Um dia que em boa verdade

Parece um lindo vitral


É que a minha mãe querida

Santa amada que adoramos

Aquela que me deu vida

Faz hoje oitenta e dois anos


Que Deus te conserve mãezinha

Por muitos anos e bons

P’ra mim tu és a Rainha

Dos mais maravilhosos dons.





Agradecimento


Sentado
num banco de vento
Invento
a magia
e subo a fasquia
do meu reinado

Soldado
dum exército absurdo
Chafurdo
as ideias
e saltam colcheias
para o meu fado

Seja louvado
aquele que me guia
a travessia
e me ajuda
a fazer a muda
deste estado.



domingo, 23 de setembro de 2007

Amigos


No cimo
destes cinquenta e cinco degraus
olho em redor e vejo
a multidão de gente que conheci
Ena tantos!
De alguns tenho saudades
de outros nem por isso.

A vida dá tantas voltas
e não temos certezas de nada.

Desiludi-me com quantos?
fui surpreendido por tantos
pela positiva e pela negativa

Tanta gente diferente
tantas formas de estar
tanta paranóia junta
tanta loucura e estupidez
tanta frieza e distancia
tanta falta de sentimentos
tanto egocentrismo
tanto surrealismo

Mas depois de peneirada
toda esta gente marada
meia dúzia deles ficaram
no fundo do meu coração

São meia dúzia de seis
são pessoas sãs e boas
amigos fieis, verdadeiros
que admiro e venero
amo muito e espero
poder continuar a amar.

Eles sabem que podem contar
com todo o meu respeito
aqui ou em qualquer lugar
serão amigos do peito.

Bem haja por existirem.



terça-feira, 18 de setembro de 2007

Força de vontade!


Levo às costas a vontade

De alcançar o que preciso

Na estrada a tempestade

Faz-me ficar indeciso


Este mundo em que vivemos

Que nos nega a felicidade

Faz com que desacreditemos

Até da própria verdade


Guio-me pelo instinto

Obedeço ao coração

E assim venço o labirinto

E procedo à louvação


O pensamento é veloz

Abre portas, faz crescer

Não temo a vinda do algoz

Estou pronto para o vencer


É preciso ter coragem

Faz parte do crescimento

A dor é só de passagem

O empenho é um portento


O rumo que a vida traça

Leva-me onde outros já foram

Tenho de mostrar a raça

Daqueles que nunca choram.




Recordação


Olhos nos olhos

Em silêncio

Fluidos arrancados

do fundo do ser

A descoberta

o tacto, o olfacto

o sabor, o calor

o champanhe e os salgados

os beijos molhados

mão na mão e o passeio

com todo o enleio

sem falsas promessas

sem nada de pressas

O ver para crer

O querer é poder.




Pensamento


A palavra
que se lavra
de renda
É prenda
que o livro
qual crivo
faz despertar
não só o olhar
mas principalmente
a nossa mente.

O horizonte
faz abrir a fonte
que nos mata a sede
e o medíocre já féde
O perfil
ganha e Abril
faz de conta
e é tonta
a pessoa
que é boa
e crê
naquilo que vê.

O dinheiro
está primeiro
e em tudo o mais
mandam os boçais.

Na palavra
que se lavra
é que não
existe papão.
O pensamento
voa como o vento
e as trepadeiras
não têm fronteiras.


sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Tenho tempo



Vem a noite e o luar
sempre pronto a aconchegar
os sonhos que eu alimento.

Voa comigo entre estrelas
pinto um quadro a aguarelas
p'ra eternizar o momento.

Liberto-me e vou sem destino
ouço ao longe um violino
que exprime o meu sentimento.

Tenho tempo p'ra chegar
quero mesmo é sonhar
dar asas ao pensamento.


quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Pelo postigo.


Hoje estou cansado
e sem vigor
Nos meus olhos
tenho um peso enorme
Até o fresco da noite
em rigor
Me incomoda duma forma
desconforme

São cinco da manhã
e não consigo
Raciocinar em paz,
de bem comigo
Estou sem sono
feito mono
O sol amigo
dentro em breve
entra pelo postigo
e cá o rapaz
assim não escreve
até breve.



terça-feira, 11 de setembro de 2007

Sonhei....


Sonhei
que valia a pena andar por cá.
Que valia a pena sonhar
e a felicidade
estava mesmo
ao dobrar da esquina.
Que os pobres
deixaram de o ser
e que a fome
fazia parte da história.
Que a saúde
era acessível a todos,
a hipocrisia
não tinha vingado,
que já não havia mentira
nem opressores e oprimidos
e finalmente havia paz.

Sonhei....


Miminho


Foi tão leve,
leve, leve,
levezinho
aquele carinho
que chegou
a causar dano
de tão breve
e ficou
a sensação de engano
naquele teu breve
miminho.



sexta-feira, 7 de setembro de 2007

O actor.


Entra em cena e dá de si
o que lá por dentro sente
Tanto chora como ri
como goza com a gente.

Num faz de conta incessante
recria a postura de alguém
faz reviver o instante
relembra o mal e o bem.

O calor dos holofotes
não esmorece a paixão
com que defende os motes
que decorou do guião.

O palco é a sua vida
o público o alimento
o aplauso no final
dá-lhe a força e o alento.

Quando despe o personagem
vai p'ra casa descansar
mas leva já na bagagem
outro texto a decorar.

Todos nós representamos
o papel que nos convém
Quando menos esperamos
vivemos a vida de alguém.



quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Afinal quem manda?


Dona Armanda você manda

Trás sempre um truque na manga

Nós por cá todos de tanga

Isto não anda, desanda.


Já falei com o Miranda

O tal que nasceu em Luanda

Vamos mas é pró Uganda

Aqui é só propaganda.


Isto nunca mais abranda

Avistei lá da varanda

Um panda que em debanda

Diz que vai p’ra Ipiranga.


Já tou farto desta canga

Se fico dou em capanga

Parto sem lugar a zanga

Afinal sou eu quem manda.



O Rei vai nu


Se o que me vem à cabeça
faz com que eu entristeça
p'ra quê ser masoquista?

Só tenho mesmo a ganhar
seguindo em frente e andar
mesmo que armado em artista.

Se doer o tornozelo
mais vale dizer e fazê-lo
durmo uma sesta à sombrinha

Não há muito p'ra escolher
a vida passa a correr
é madrasta ou madrinha

Pega na sacola e faz-te à estrada
nesta terrinha não se passa nada
muitos o fizeram, fá-lo também tu
que por estas bandas o rei vai nu.



Falam, falam e não dizem nada


Enquanto eles se divertem
encharcados na bebida
falam alto e esquecem
que há gente que fica aturdida

Sem vontade de sorrir
que só quer paz e sossego
é obrigado a ouvir
da boca de um qualquer labrego

O discurso do idiota
que é vaidoso e convencido
uma autêntica anedota
mas pensa que é evoluído

Falam, falam, e no fim.....


Outros tempos


Naquele tempo
p'ra ser feliz
bastava muito pouco.

Um arco e um gancho,
algumas caricas,
uma fisga e um peão,
quatro rolamentos,
uma tábua e três paus,
um carrinho de lata,
uma bola de farrapo,
papel e lápis para desenhar.

Para os miúdos de hoje
isto é pouco concerteza
mas naquele tempo
não aspirávamos a mais.

E éramos felizes!


quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Esse sou eu!


Se alguém te disser
que me viu
num bar qualquer
da cidade
a beber e festejar
a sorrir, a gargalhar,
esse não sou eu.

Se alguém te disser
que me viu
num estádio de futebol
a assistir a uma partida
empolgado com o jogo,
esse não sou eu.

Se alguém te disser
que me viu
estendido na praia
a tomar banhos de sol
mesmo que o tempo
esteja convidativo,
esse não sou eu.

Se alguém te disser
que num dia de chuva
me viram a olhar
pela vidraça da janela
ou dentro do carro
a fitar o mar
perdido nos meus pensamentos,
esse sou eu!


terça-feira, 4 de setembro de 2007

Ontem e hoje



Hoje queria dizer sim
mas tive que dizer não,
ontem queria dizer não
e tive que dizer sim.

Ontem queria estar em paz
e não consegui,
hoje senti a maldade
que tanto abomino.

Que mundo este que nos obriga
a dizer aquilo que não sentimos
e nos põe à prova a todo o instante.


segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Enquanto puder



Ás vezes no meu canto
contemplo a plenitude da noite
e o barulho do silêncio.
Ouço vozes de gente muda
e alongo-me em conversas interiores
que me atiram contra rochedos
dum mar que nunca vi.

Actor de uma peça inacabada
vivo o momento e aspiro por mais.
Sou o que sou e nem por isso me revejo
em cicatrizes por curar.
Tudo à volta é importante
se lhe dermos importância

Sonho acordado o sonho que é sonho
e por certo não passará disso mesmo.
Mas é bom sonhar e por isso
vou viver a utopia enquanto puder.