quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Café com leite e torradas

Estou necessitado
dum carinho...

Não foi florido este dia
Esforcei-me
por manter-me calmo
Pisei em cima d'ovos
O frio não ajudou
Joguei cartas
com a tristeza
Distanciei-me
do burburinho
Tentei rimar
amargura com alegria
mas não deu
O que eu queria
era um abraço,
uma palavra,
um gesto,
um miminho.

Vou esquecer
estas maçadas
e quando chegar a casa
vingo-me
no café com leite
e nas torradas.





terça-feira, 30 de outubro de 2007

Haja pachorra



Não sei se é da idade
ou se na verdade
é falta de pachorra
p'ra aturar a porra
do palavreado da treta
de todo o careta
que à toa
se emproa
com vaidade
na criatividade
doentia
quando a analogia
não corresponde
e esconde
a irrealidade
e falta de sanidade.
mental
É fundamental
a bendizer
pôr-me a mexer.




domingo, 28 de outubro de 2007

Guitarra amiga


Guitarra
velha amiga
que eu adoro
Que chora
quando eu choro
e vibra
quando estou feliz

É o meu
refugio antigo
Com ela
não corro perigo
sempre me soube
ouvir

Guitarra
paixão antiga
Refúgio
que me abriga
nos momentos
de tristeza

A felicidade
que sinto
quando lhe toco
Faminto
de tão belas
emoções

Ninguém
como ela entende
e lê
o que me vai na alma
Sempre calma
paciente
guarda todos
os segredos
que lhe conto
com os dedos
nos acordes
que me oferece

Quantas vezes
no silencio
das noites
de inquietação
Chora comigo
as agruras
que trago
no coração

Aparou já
muitas lágrimas
Sentimentos
conturbados
Alguns sonhos
adiados
que a minh'alma
exaspéra

É a minha extensão
Traduz
toda a vibração
que trago
no coração.

Se um dia
eu não puder
tocar-lhe
e acariciá-la
A vida
não faz sentido
Estarei
concerteza perdido
Pois morreu
parte de mim.





sábado, 27 de outubro de 2007

Quando choras


Quando choras
tudo pára
Tudo fica
triste e mudo
Até a pobre guitarra
Perde a força
Perde a garra
E o sol fica beiçudo
As flores
Não lançam odores
A lua envergonhada
Esconde-se
Atrás da coutada
E chora também contigo
O próprio mar
se ressente
E perde todo o vigor
Manda flores
Com a corrente
E beijinhos com amor
Se chorar te alivia
Chora, chora à vontade
Mas depois vê se sorris
Porque em boa verdade
Só te queremos ver feliz




sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Oxalá


Ténue e frágil é a voz
que embora adocicada
está cansada e sem brilho
de tanto pó da estrada
de afazeres de andarilho

No meio da tempestade
A caminhada foi dura
e o acaso traiçoeiro
abrigou-me a noite escura
fui eu proprio o conselheiro

Mesmo co'a voz inconstante
bem diferente da doutrora
dedico-te este poema
perdoa-me pela demora
e desculpa o lexema

Trago-te a todo o instante
comigo no pensamento
penso em ti com tal carinho
que acredito no momento
de te encontrar no caminho

Mas se não acontecer
por ter de ser, oxalá
quando a missão for cumprida
e não te encontre por cá
que te encontre noutra vida.




quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A escolha

Podia ter sido um Principe
de um Reino num qualquer lugar
partir à descoberta
agir pela certa
e o reinado alargar

Dar nas vistas, ser notado
politicamente correcto
combater no local certo
e sem dó nem piedade
subjugar à minha vontade

É contra os meus principios
prefiro o meu cantinho
na concha que inventei
seguir somente o caminho
que quiz e conforme sei

Gozar as coisas que gosto
viver o que conseguir
aprender e inventar
criar, recriar, descobrir
ensinar, repartir e dar

Esta vida é um sopro
Tudo nos é emprestado
não valemos um tostão
viemos cumprir a missão
espero dar conta do recado.





A mosca

Ah coisinha chata
que anda aqui à volta
só p'ra me agastar
é mesmo pirata
provoca revolta
está-me a apoquentar

Isto é agressão
porque este zumbido
faz enlouquecer
se lhe deito a mão
nem o apelido
vai poder dizer

Ainda por cima
é porca, imunda
e não tem respeito
por quem se lastima
esta vagabunda
faz-me ficar sem jeito

Ah mosca maldita
não chateies mais
que a tua visita
lesa por demais
vai, mosca desdita
e não voltes mais.





quarta-feira, 24 de outubro de 2007

e acordei!


Voei no meu unicórnio
P’ra contemplar a cidade
Ver ruas e quarteirões
Absorver emoções
Sentir a cumplicidade

Ver gentes, o rio e o mar
E o burburinho normal
De tanta vida a pulsar
Que deixa ficar no ar
Uma canção minimal

Vi o Mosteiro da Serra
do Pilar a conversar
co’as Muralhas Fernandinas
com a ponte e as meninas
da Ribeira a escutar

E a Torre dos Clérigos
No seu grande pedestal
Vai vigiando o Infante
A Bolsa e mais adiante
O Palácio de Cristal

Depois a Ponte da Arrábida
Aí dei a volta e virei
Sem esquecer o Cabedelo
A Afurada e o Castelo
Quis ver mais mas acordei.





terça-feira, 23 de outubro de 2007

A cidade

Há muito cimento
E no pavimento
Tudo a circular
Falta o arvoredo
Aponta-se o dedo
Estão-se a marimbar

A população
Cheia de razão
Vive atribulada
E à sua volta
Há muita revolta
E não se passa nada

O cão coça a pulga
Esta enceta a fuga
P’ra se abrigar
O velho resmunga
Que o puto é xunga
E está a chatear

Tem a prostituta
Na esquina, astuta
Com sorriso maroto
Ao lado o Emplastro
Que pensa que é astro
Sorri para a foto

O metro lá chega
E alguém escorrega
Co’a pressa de entrar
Vem o arrumador
Que diz que é melhor
Pedir que roubar

O polícia autua
O carro na rua
Que está a estorvar
O Zé cauteleiro
Faz grande berreiro
No seu apregoar

O pimba peralta
Trás a música alta
Para ser notado
Um pouco mais à frente
Um montão de gente
Com ar complicado

O Quim espingardeiro
Passa o dia inteiro
Sem ter que fazer
Passa o atleta
Na sua bicicleta
A treinar p’ra correr

É esta a cidade
Que em boa verdade
Me vai acolhendo
Tudo atarefado
Nem olham pró lado
E lá vão vivendo.




segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Alucinação


Estarei eu a alucinar?
Quando vejo a mandar
No País que tanto adoro
Gente de tal indecoro
Que me faz envergonhar
E me obriga a perguntar


Estarei eu alucinado?
Acho que estou acordado
Belisquei-me e doeu
Mas porque é que Deus me deu
Desta forma tão má sorte
A ser assim quero a morte.


Deve ser alucinação!
Tanta gente sem ter pão
A banca sempre a crescer
Os mesmos a enriquecer
A saúde no soalho
Cada vez menos trabalho


Estou mesmo a alucinar!
O Estado a esbanjar
Os impostos a doer
O povo a endoidecer
Sempre os mesmos a pagar
-Tenho é que me tratar!.





Escrever uma canção


Escrever uma canção
é tirar do interior
do coração com amor
uma qualquer emoção

É descrever o momento
seja doce como mel
ou amargo como fel
com todo o sentimento

Se estou triste, um tom menor
ajuda a deitar p’ra fora
o quanto a minh’alma chora
até que me sinta melhor

Se estou feliz, um maior
põe tudo no seu lugar
faz com que possa cantar
alegre e com mais vigor

É como fazer um filho
com amor e muita garra
passo a ideia à guitarra
que apaixonado dedilho

Quando a gente deita a mão
àquilo que temos no peito
então o poema é perfeito
e daí nasce a canção.



Coragem


Aguenta com bravura
o tranco cada vez mais forte
que te põe a alma escura
e p'ró abismo te empurra
até que acabe a má sorte


Já que tens de assim sofrer
não esmoreças, que a fera,
um dia destes vais ver,
acaba por ter de ceder
cansada de ser tão vera


Então poderás recomeçar
e dar um grande abanão
naquilo que te fez parar
É só quereres lá chegar!
Terás o mundo na mão!




domingo, 21 de outubro de 2007

Quando partir


Quando partir
Vou-me a rir
Dos palhaços
Que encontrei
Dos cachaços
Que preguei
A alguns cagões
Desta vida

Quando partir
Vou-me a rir
Dos vivaços
Que evitei
Dos sorrisos
Que encenei
P’ra alguns cabrões
Nesta vida

Gente que faz
Que é capaz
Que diz ser
O que não é
e faz crer
ao bom do Zé
que os arpões
não fazem ferida

Vou contente
O suficiente
Por ter gozado
À brava
E mandado
sempre à fava
os parvalhões
desta vida





Segredo


O segredo é um rochedo
duro e intransponível
Mesmo forçado e com medo
tem que ser inatingível

O segredo é p’ra guardar
mesmo que leve a má sorte
Custe lá o que custar
vai connosco até à morte

Mesmo que haja ameaça
e se adivinhe desgraça
luto até me finar

O segredo é um penedo
Eu tenho cá dentro um segredo
mas nunca to vou contar.





sábado, 20 de outubro de 2007

O Rabelo


Oh, que belo é o rabelo
no rio Douro a flutuar.
que bom que é poder vê-lo
elegante e singelo
e a infância recordar

Noutros tempos navegava
da Régua até à ribeira
do Porto e Gaia e voltava
navegava e transportava
vinho em pipas de madeira.

Para além do vinho trazia
e levava sem cessar
com bom tempo ou invernia
montes de mercadoria
num rodopio invulgar

Era a lenha e o carvão
madeira, fruta e fava
batata, milho e feijão
tudo o que a população
cá do burgo precisava

Durante todo o encargo
a acompanhar a labuta
vinham a boga e o barbo,
a enguia, lampreia e o sargo
o sável a solha e a truta

Se o vento era de feição
içavam no mastro a vela
e aí a embarcação
ganhava outra emoção
e dava uma escapadela

Senão era o braço possante
a remar com energia
que levava por diante
o rabelo a montante
a terminar a porfia

O moço fazia a comida
num enorme panelão
grande, negro como a vida
e na hora da investida
lá faziam a refeição

A vida a bordo era dura
e as marés perturbantes
perigosa de insegura
o rio foi a sepultura
para muitos tripulantes

Hoje é p’ra turista ver
não há lágrima nem choro
pelo menos dá prazer
a quem quiser conhecer
este Rio Douro que adoro



sexta-feira, 19 de outubro de 2007

As mãos


Com as mãos eu faço tudo
estejam ásperas ou de veludo
Com as mãos eu faço tudo,
comunico até com o mudo.

Ameaço ou suplico,
incito e encorajo,
ralho ou apaparico,
agradeço ou reajo.

As mãos servem para pedir,
exigir ou recusar,
mas também p’ra aplaudir
o que for p’ra melhorar.

Servem p’ra marcar presença,
construir e trabalhar,
resolver a desavença,
perdoar e até beijar.

Servem para conceder,
absolver, acusar,
teimar e até esconder,
mexer, remexer, apalpar.

Servem para amparar
e proteger do engano,
punir ou abençoar
e repelir o tirano.

Servem para repartir,
fazer rir e consolar
servem p’ra destituir
e até mesmo para coçar.

Matam ou mandam matar,
destruir e arrasar,
até servem p’ra roubar
se o desatento deixar.

Servem p’ra tocar guitarra,
escrever o que a alma diz,
gesticular, fazer farra
e até assoar o nariz.

Servem p'ra enxugar a lágrima,
e pentear o cabelo,
remar pelo rio acima

ou passar a mão no pelo.

Com as mãos posso rezar,
realizar tudo no fundo,
só não consigo acabar
com a maldade no mundo.





quinta-feira, 18 de outubro de 2007

As meninas dos meus olhos


Moram nos meus olhos
as meninas, que se excitam
e fazem ficar zarolhos,
os olhos que fitam
o gingar da tua anca,
naquele passo aligeirado,
dentro da calça branca,
num autêntico bailado.

Endoidecem de te ver
e festejam de mão dada
quando te vêem descer
pelas pedras da calçada.

Depois guardam com cuidado
p'ra nunca mais esquecer,
na memória o gingado,
podes ir por outro lado
e não te puderem ver.



quarta-feira, 17 de outubro de 2007

A minha janela


Aqui da minha janela
vejo o tempo a passar
vejo o sol, vejo a chuva
vejo a noite a chegar


Daqui vejo o nevoeiro
que não deixa enxergar
vejo a lua tão serena
que até me faz suspirar

Vejo o mendigo a pedir
o varredor a limpar
a criança a sorrir
o bêbado a cambalear

Vejo o velho que se arrasta
e a vaidosa a passar
a peixeira e os pregões
o drogado a roubar

Vejo pobreza encoberta
e muitas banalidades
o cidadão que disserta
acerca das desigualdades

O arrumador que chateia
o autocarro atrasado
o policia que vagueia
o guarda nocturno cansado

A fila de carros parada
e muita poluição no ar
a louca esgazeada
o manco que vai a mancar

Aqui da minha janela
vejo tudo a passar
aqui da minha janela
só não dá p’ra ver o mar.




terça-feira, 16 de outubro de 2007

Douro, meu tesouro!


Douro, pintura viva
de nuances geniais
a sua beleza cativa
o mais comum dos mortais.

Vem de Espanha a deslizar
com segredos no seu leito
e lá vai contar ao mar
que o escuta satisfeito.

Douro das pontes, baías,
poetas, pintores e jograis
que inspira fantasias
a tantos e tantos casais.

Douro de barcos e vinhas
pipas, armazéns e cais,
margens com muitas tasquinhas,
com petiscos divinais.

Os turistas vão aos molhos
descobrir o rio amigo
vão e saciam os olhos
maravilhados contigo.

Douro, ouro, és sagrado
ouro de fino recorte
mereces ser venerado
pelas gentes cá do Norte.



domingo, 14 de outubro de 2007

Quando a velhice chegar


Quando a velhice chegar
se o tempo não mo negar
vou terminar finalmente
projectos que são afinal
coisas d'alma em especial
de partilha consciente.

Pintar o quadro perfeito
arrancar o poema do peito
dedicá-lo a todos vós
Fazer a canção imortal
com notas do meu ideal
e cantá-la de viva voz.

Privar com aqueles a quem quero
sem pressas, ao som dum bolero
tocado num qualquer piano
e no conforto da família
zelar pela sua harmonia
valor por demais soberano

Quando a velhice chegar
estarei pronto para a aceitar...




sábado, 13 de outubro de 2007

O gato e o rato


O gato
é pacato
gaiato
e defacto
sem trato
no acto
é flato
a recato
formato
mascato

O rato
é chato
biscato
acrobato
ingrato
abstracto
inexacto
aparato
barato
que o gato
com palato
põe no prato
.....

Huf... que espalhafato
tou a precisar de bicarbonato.



sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Obra de Deus

Por entre a erva fresca e verdejante
e as gotas cristalinas da orvalhada
o cheiro forte a terra é um purgante
e ao ouvido mais parece uma balada

Ao fundo os campinos e um ribeiro
Em cima dum milheiro um canário
Na serra lentamente um caminheiro
Esforça-se a cumprir o calendário

O vento trás aromas misturados
que inspiram a vontade de viver
no meio dos campos acolchoados
de energia, liberdade e prazer

O céu que nos abriga com amor
No seu manto branco e estrelado
Completa o quadro de esplendor
Que me deixa inteiramente extasiado

Esta paz e harmonia, é bom de ver
Foi criada com paixão e tal vigor
que tanta beleza assim, só pode ser
Obra de DEUS NOSSO SENHOR.




quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Mãe, querida mãe.


Mãe,
és tão linda
minha mãe.

Tens um brilho especial
um sorrir celestial.
Cada vez que estou contigo
ouço atento e mendigo
os conselhos que me dás.

O teu carinho e ternura
assim como toda a doçura
que mostras quando me vês,
faz de ti uma Rainha,
a verdadeira estrelinha
que me guia e protege.

Foste sempre mãe verdade
ensinaste lealdade,
coragem e abnegação.
Esbanjaste amor a rodos
ensinaste-nos a todos
a tua forma de estar.

dedicaste a vida aos filhos
sem receio dos cadilhos,
és o nosso bastião.
Amo-te pelo que és,
ajoelho-me a teus pés
p'ra pedir a tua benção.



quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Faz-me um favor


Se encontrares o meu amor
faz-me um favor
diz-lhe que a minh'alma chora
por ela ter ido embora
sem sequer dizer adeus

Que as noites são um suplício
que sinto já o indício
de que vou endoidecer

diz-lhe que ando cansado
que me sinto um condenado
sem vontade de viver

que não entendo a razão
do porquê desta agressão
de tamanha machadada

Se ela disser que não vem
diz-lhe que ficou aquém
daquilo que eu esperava

Serei sombra empoeirada
perdido aí pela estrada
mas quero que seja feliz.




terça-feira, 9 de outubro de 2007

Ó mar....


Ó mar, imponente mar
mar profundo e infinito
estou aqui p'ra te escutar
tenho a alma em conflito

Venho ver o teu bailado
venho ouvir-te murmurar
sentir o cheiro encantado
da maresia no ar

Mergulhar e num estalo
sentir o prazer do embalo
das ondas a festejar

Embrulhar-me na espuma
e tal e qual uma pluma
deixar-me ir e sonhar




segunda-feira, 8 de outubro de 2007

POLÍTICA


A politica é uma merda
já dizia o Lacerda
com imensa sabedura

São todos porcos imundos
cambada de vagabundos
não sabem o que é lisura

Mentem descaradamente
vão pisando toda a gente
para atingir os seus fins

Levam vida flauteada
ninguém os vê fazer nada
vivem em grandes festins

E o povo coitadinho
vai levando no focinho
a toda a hora e instante

E na hora da verdade
lá vai mostrar lealdade
e votar no meliante

Abram os olhos caraças
façam ver a essas carraças
que são nossos funcionários

Digam a esses estafermos
que sabemos o que queremos
e deixem de ser otários




segunda-feira, 1 de outubro de 2007

O orador



O arrazoador
faz sempre o arreamento
na sua dissertação.
Dissemina a verborreia
persuade o embuste
e prossegue a odisseia.