terça-feira, 23 de outubro de 2007

A cidade

Há muito cimento
E no pavimento
Tudo a circular
Falta o arvoredo
Aponta-se o dedo
Estão-se a marimbar

A população
Cheia de razão
Vive atribulada
E à sua volta
Há muita revolta
E não se passa nada

O cão coça a pulga
Esta enceta a fuga
P’ra se abrigar
O velho resmunga
Que o puto é xunga
E está a chatear

Tem a prostituta
Na esquina, astuta
Com sorriso maroto
Ao lado o Emplastro
Que pensa que é astro
Sorri para a foto

O metro lá chega
E alguém escorrega
Co’a pressa de entrar
Vem o arrumador
Que diz que é melhor
Pedir que roubar

O polícia autua
O carro na rua
Que está a estorvar
O Zé cauteleiro
Faz grande berreiro
No seu apregoar

O pimba peralta
Trás a música alta
Para ser notado
Um pouco mais à frente
Um montão de gente
Com ar complicado

O Quim espingardeiro
Passa o dia inteiro
Sem ter que fazer
Passa o atleta
Na sua bicicleta
A treinar p’ra correr

É esta a cidade
Que em boa verdade
Me vai acolhendo
Tudo atarefado
Nem olham pró lado
E lá vão vivendo.




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